Colaborativa.mente é o nome da exposição de arte feita a quatro mãos por Cruzeiro SeixasValter Hugo Mãe, patente na Casa da Liberdade – Mário Cesariny, em Lisboa, até 16 de junho.

Composta por trabalhos do artista plástico Artur do Cruzeiro Seixas e ilustrações do escritor Valter Hugo Mãe, a exposição cruza a obra destes dois nomes de referência das artes plásticas e da literatura e revela um conjunto de composições inéditas realizadas em conjunto.

Cruzeiro Seixas e Valter Hugo Mãe

Obra colaborativa de Cruzeiro Seixas e Valter Hugo Mãe | Foto: Casa da Liberdade – Mário Cesariny

Amigos há cerca de 20 anos, Cruzeiro Seixas e Valter Hugo Mãe, «inspirados pelos processos participativos recorrentes entre os membros do movimento surrealista», empreenderam um caminho criativo conjunto, que se traduziu em composições incomuns, esclarece o texto sobre a exposição divulgado pela Casa da Liberdade – Mário Cesariny na página oficial.

De acordo com o comunicado emitido pela Porto Editora, uma destas colaborações será, a partir de maio, capa de uma nova edição do romance o nosso reino, de Valter Hugo Mãe.

o apocalipse dos trabalhadores e a máquina de fazer espanhóis vão ter a assinatura de Cruzeiro Seixas, apresentando obras do seu diversificado repertório com mais de 70 anos de produção artística.

Cruzeiro Seixas e Valter Hugo Mãe

A nova capa do romance, disponível nas livrarias a partir de maio | Foto: divulgação

Com a curadoria de Carlos Cabral Nunes, Colaborativa.mente não só revela a faceta artística mais resguardada de Valter Hugo Mãe, mas também propõe novas formas de olhar a obra do precursor do Surrealismo em Portugal Cruzeiro Seixas.

A exposição, de entrada livre, pode ser visitada de terça-feira a sábado, entre as 14h e as 20h.

A sensibilidade poética de Cruzeiro Seixas e Valter Hugo Mãe

Nascido em 1920, Artur do Cruzeiro Seixas desde cedo manifestou uma inclinação para o desenho, que acabaria por se tornar a paixão da sua vida. Foi um dos expoentes do movimento surrealista português, ao qual deu, na segunda metade do século XX, um contributo plástico admirável.

A par de um talento incomum, a multidisciplinaridade é outra das características de Cruzeiro Seixas, cuja obra se estende também à literatura.

Começou a escrever poemas em 1952 e publicou várias livros de poesia, entre os quais Eu falo em chamas (1986) e Viagem sem regresso (2001). Foi essa a dimensão que o uniu primeiramente a Valter Hugo Mãe, que, enquanto cofundador das edições Quasi, publicou a sua obra poética.

Valter Hugo Mãe nasceu em 1971 e assinou, ao longo de mais de 20 anos de carreira, uma variada e compósita diversidade de obras literárias.

Visto hoje como um dos mais destacados autores portugueses, também ele começou a dar os primeiros passos através da poesia. A publicação, em 1996, do livro de poemas o silencioso corpo de fuga representa a sua estreia no mundo literário.

Em entrevista ao Público, em 2012, admitiu que Cruzeiro Seixas era uma espécie de síntese para si pelo duplo papel que assumira enquanto artista plástico e escritor. Citado pelo jornal, refere que as obras pictóricas de Cruzeiro Seixas ensinaram-no «a ver a luz numa tela e a partir daí perceber melhor como tinha de comunicar essa luz noutras linguagens».

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