Tim Bernardes e a vontade de recomeçar

“Pouco a pouco eu vou me conhecer melhor”. Este é um dos diferentes pensamentos em que o cantor brasileiro Tim Bernardes rodeia o seu mais recente disco, Recomeçar.

Martim Bernardes, mais conhecido por “Tim“, nasceu no ano de 1991 na cidade de São Paulo (Brasil). Desde cedo, perseguiu o seu gosto pela música. Teve aulas de piano, guitarra, bateria, entre outros instrumentos. Aos 13 anos, decide focar-se na guitarra, instrumento que acompanha fortemente a sua carreira.

Em 2009, integra uma banda de rock, O Terno. Tinha na sua sua companhia o baixista Guilherme D’Almeida, o baterista Vitor Chaves e ainda o seu pai, também músico, Maurício Pereira. “Filho de peixe sabe nadar” assim o ditado diz.

Tim com o seu pai, Maurício aka “Pereirinha e Pereirão”

Mas não é o Tim, d’O Terno que está a dar que falar. É somente Tim, sozinho com a sua voz e pensamentos. A sua mente preenche-se de histórias sobre deceções amorosas ao longo da sua vida, juntamente com problemas de adolescente à vida adulta. Compositor, cantor e produtor, Recomeçar é o seu novo disco e objetivo.

A solidão em acordes

Capa do álbum: Recomeçar

Este é o seu primeiro disco a solo. Foi lançado em 2017, mas as canções já estavam há muito guardadas. Composto por 13 faixas, Tim afirma que a mais antiga é  Não, escrita em 2010.

Para o cantor, trata-se de uma canção profunda que simboliza o desfeche de uma relação amorosa. A sua letra foi composta com base numa chamada telefónica entre ele e o seu amor. Através de oito versos, a música consegue trazer à flor da pele a sensação de que a relação é nossa e que, de facto, é hora de acabar.

Não fala isso por favor
Eu já passei por tanta coisa
Eu não vou mais ser seu amigo
Eu quero até mas não consigo
Eu também vou sentir saudades
Eu também vou chorar sozinho

Para Tim, estava na hora de virar a página do livro da vida e recomeçar a escrever. A última faixa do seu álbum trata-se disso mesmo. A sua posição passa de tristeza para uma atitude de esperança.

Eu vou deixar ela ir embora
Chegou a hora
(…)

A dor do fim vem para purificar,
Recomeçar
Recomeçar

Para o site G1 do Brasil, o artista revela que não se trata apenas de canções tristes.

“É um disco de exposição sincera de sentimentos em uma época em que é muito de aparências, de você estar sempre em uma mídia social mostrando uma coisa legal da própria vida, tentando sustentar que está tudo bem”

O seu álbum a solo foi considerado o disco do ano de 2017, pelo Jornal do Estado de São Paulo. Conta já com uma tour pelo Brasil e agora já tem algumas datas em Portugal. A primeira atuação será na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa, no dia 14 e 17 de junho. No dia 15, o concerto será na Casa da Cultura (Setúbal) e ainda no dia 16 do mesmo mês, o cantor irá tocar no Auditório de Espinho.

O Terno e o lado rock de Tim

Tim, Peixe e Biel

Apesar do seu novo lado sereno e pensativo, o cantor tem outra faceta mais alegre. A sua banda aborda o que eles chamam de “canção-rock’n’roll-pop-experimental“. O trio era formado por Tim Bernardes, na voz e guitarra, Guilherme d’Almeida aka o Peixe, no baixo, e Vitor Chaves, na bateria. Em 2015, Vitor abandona a banda e a bateria é tomada por Biel Basile, mais conhecido por Biel. Com uma sonoridade vibrante e cheia de cor, as suas letras e pontos de vista também se diferem do álbum a solo do artista.

Se, num, ele fecha-se num estúdio com a sua tristeza e pensamentos, noutro, a sua revolta ganha outro timbre. Antes de chegar à conclusão de que queria ficar sozinho com a sua guitarra, passa antes por debaixo de água. Literalmente debaixo de água. Também um homónimo, foi aqui que foi gravada a faixa 66, em 2012.

De três álbuns, o seu mais recente foi lançado em 2016. Melhor do que parece, tem dez faixas que falam sobre amores, revoltas sobre o pós-adolescência e ainda sobre o futuro que se avizinha.

Nesse ano do lançamento, o disco ganhou o prémio de Melhor Álbum, segundo o Jornal do Estado de São Paulo. A canção, Melhor do que se parece, e o seu álbum correspondente, ficaram em 25º lugar em Melhor Álbum e Música Nacional de 2016, na revista Rolling Stone.

Curiosamente, todos os discos de Tim (inclusive o Recomeçar) contêm uma canção homónima. Talvez nos seja permitido especular que nos próximos álbuns, os seus títulos sejam um presságio do tema que se irá tratar. Mas uma coisa será certa, Tim Bernardes não vai desiludir.

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