Chance The Rapper completa, neste dia 16 de abril, 25 anos de vida. O Espalha-Factos não pôde deixar escapar esta oportunidade para acompanhar todo o percurso de vida e música de um dos rappers do momento.

O sonho de Chano e os seus 10 dias de música

Chancelor Jonathan Bennett não teve a típica infância de muitos rappers norte-americanos. Não passou pela pobreza, tendo o seu pai sido senador na época de Obama. Chano, primeiro pseudónimo do artista, era apenas um rapaz com posses monetárias que tinha um sonho peculiar: ser músico.

A inspiração veio de um nome que poucos desconhecem: Kanye West. Tendo escutado The College DropoutChancelor considerou que esse momento teria sido a sua “primeira experiência vívida com o hip-hop“. A partir daí, veio toda a motivação para criar. Esta motivação resultou em três mixtapes e em três prémios Grammy no bolso.

“Eu conheci o Kanye West. Eu nunca vou falhar.”
– Chance The Rapper em “Ultralight Beam”, de Kanye West

Prosseguindo a narrativa, suspenso do liceu por posse de marijuana, começa a pensar em aproveitar os dez dias de interrupção escolar, a fim de se criar  algo mais concreto. Desse modo, já sob o nome Chance The Rapper, é lançada, em 2012, a sua primeira mixtape.

Tendo participações especiais de Vic Mensa e Flying Lotus, na qualidade de produtor, 10 Day é um disco puramente inócuo. Com rimas bruscas, temáticas mundanas, destacam-se canções como Brain Cells, o single Windows e a canção-mote desta mixtape, 14,400 Minutes. Inesperado, mas o seu projecto de dez dias chegou a ser avaliado pela Forbes e Complex. Esta última considerou Chance um dos “10 rappers de Chicago que devemos prestar atenção”. 

Rap ácido e experiências sociais

No entanto, parar não era opção para este artista que estava a começar a entrar em ascensão. Em julho de 2012, Chance participa na sexta mixtape de Childish Gambino, com They Don’t Like Me. Este acabaria por ser convidado por Gambino, a fim de fazer a primeira parte da sua tour norte-americana. Aí, ia preparando tudo para disponibilizar online o seu segundo registo, Acid Rap, que ia colocar o artista num outro nível.

Embora tenha sido lançada, apenas, em 2013, esta colectânea de músicas foi bastante aclamada pela crítica. Muito mais maturo, sentimos um Chancelor que é mais Chance do que Chano. Assim, escutamos as histórias de alguém que reconhece as suas diferenças, como em Everybody is Something, e começamos a entender toda a humildade e amor que gera esta personalidade.

Depois de ter protagonizado, em 2015, a curta-metragem Mr. Happy, uma história sobre depressão, Bennett é ainda co-autor de duas obras: Surf, de Donnie Trumpet & The Social Experiment; a mixtape Free, com Lil B.

De Chicago para o mundo

Estamos em 2016 e ouvimos o nome “Chance The Rapper” em toda a parte. Seja pela sua participação no álbum The Life of Pablo, de Kanye West, seja pela sua magnum-opus, Coloring Book, Chancelor, tinha, certamente, deixado de ser um mero menino de Chicago.

Contando com a participação de Justin Bieber, 2 Chainz e Young Thug, Coloring Book foi vencedor do prémio de melhor álbum rap, nos Grammy de 2017. Desta forma se fez história, ao ser o primeiro álbum de streaming a vencer uma categoria nesta cerimónia de prémios.

Este terceiro registo do rapper segue bastante a temática da obra de Kanye, sendo bastante influenciado pelo gospel. Aliás, em Blessings, encontramos uma bela mensagem a Deus, por parte de Chance. Todavia, ainda que as canções remetam para significados alegres, o artista ultrapassou fases de abuso de drogas, bem como de sentimentos relacionados com a improdutividade e de vazio.

Ainda no final de 2016, este lança uma mixtape de Natal.

Em 2018, no dia em que escrevemos este artigo, aguardamos as músicas que Chance tinha admitido ter composto juntamente com West e Gambino. As afirmações ficaram no ar, mas temos bom remédio, podendo sempre escutar toda esta história que foi narrada nos seus versos e melodias humildes.

Não esquecer as boas emoções”, Chancelor Jonathan Bennett faz 25 anos neste dia e esperamos que faça muitos mais. Vida longa aos génios!