No dia normalmente associado à chegada da Primavera, Papillon apresentava ao mundo o seu disco de estreia a solo, Deepak Looper. Numa sexta-feira 13, era tempo de o apresentar ao vivo, no Estúdio Time Out, em Lisboa.

Há quem descreva o disco de Papillon como um dos registos fortes da música portuguesa desta primeira metade do ano. A exigir um consumo atento, com tempo para saborear todas as variações e influências sonoras, além das várias referências que pontuam de forma prazerosa a escrita de Papillon, Deepak Looper ainda pedia um teste ao vivo.

A enfrentar uma sala recheada, Rui Pereira aka Papillon, subia a palco à 00h30, pondo fim a um intervalo para mudança de instrumentos, onde deu para ouvir um bom pedaço do disco To Pimp a Butterfly, de Kendrick Lamar. Curiosamente, um disco onde as colaborações e marcas indeléveis de produtores como Dr Dre, Thundercat ou Flying Lotus se fizeram sentir.

Também Papillon se soube rodear de nomes fortes para dar uma ajuda neste Deepak Looper: Fred Ferreira, Holly, Lhast ou Slow J, só para exemplo. Este último nome, aliás, mereceu rasgados agradecimentos de Papillon no palco do Estúdio Time Out, que referiu a influência do músico para dar vida ao seu registo de estreia.

Também Slow J passou pelo palco, em ocasiões diferentes. O músico, que dá a sua contribuição no tema Imbecis/Íman foi calorosamente recebido e acarinhado pelo público. Um encontro que era, sem dúvida, aguardado e que não desiludiu a audiência.

Embora tenha menos de um mês de vida, os escritos que compõem as faixas de Deepak Looper já andam na ponta da língua de muito do público presente. Imediatamente ou Impasse são entoadas com emoção – Iminente, com direito à companhia de Plutónio, nem se fala. Momento de festa, mais do que dançável, com uma batida contagiante, deixou muita gente a dançar com a alma.

“Quem corre assim nunca fica cansado”, refere Papillon, justamente em Iminente. E, a avaliar pela vibe que se sentiu naquela noite, Deepak Looper saiu mesmo do casulo para chegar aos palcos em força.

Fumaxa e Keso dominaram a primeira parte

Que todos os aquecimentos fossem tão bem sucedidos como o set de Fumaxa. A saber ler o público com mestria, o DJ e produtor ofereceu um pouco de tudo, numa sábia mistura entre faixas portuguesas de artistas como Sam the Kid, por exemplo, misturadas com fenómenos como Mans Not Hot, de Big Shaq.

Depois de sair de palco, Fumaxa deu lugar a Keso, rapper do Porto que agradecia a Papillon a oportunidade para divulgar o seu trabalho, naquela noite. Com domínio e atitude, ficou a faltar a ajuda de um público mais cooperante para perceber que o silêncio pedido pelo artista era para levar a sério.

A atuação de Keso foi pontuada por momentos acapella, que, poderiam ter sido um momento de mão cheia com menos ruído à mistura. Mas uma sexta-feira sem algum azar à mistura não seria a mesma coisa, não é verdade?

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Fotos de Tiago Filipe.