O cinema ficou mais pobre: Milos Forman morreu este sábado (14), com 86 anos. Depois de um breve período em que esteve doente, o realizador norte-americano de origem checa faleceu de uma forma calma e tranquila, revelou a sua mulher à agência de notícias checa CTK: “A sua partida foi tranquila e ele esteve o tempo todo rodeado pela sua família e amigos mais próximos”.

Forman nasceu em Caslav, na antiga Checoslováquia, a 18 de fevereiro de 1932. Estudou numa das escolas de elite da sua cidade, tendo terminado o seu percurso académico na Academia de Artes Cénicas de Praga, onde tirou o curso de cinema. Após ter concluído o curso, iniciou de imediato a sua vida no grande ecrã, como ator e argumentista. Só em 1964 é que se estreou como realizador, com o filme O Às de Espadas.

Dois anos depois, em 1965, Milos ganhou o seu primeiro Óscar de Melhor Filme Estrangeiro com o filme Os Amores Duma Loura. Até então, já contava com dois documentários e uma curta-metragem documental na sua carreira profissional. Contudo, foi só em 1975 que o cineasta realiza aquele que foi considerado o seu melhor filme. Estamos a falar, portanto, de Voando Sobre Um Ninho de Cucos.

Considerado a grande marca de Milos Forman no grande ecrã, Voando Sobre Um Ninho de Cucos, protagonizado por Jack Nicholson, conta a história de um hospício psiquiátrico e de tudo o que lá se vivia, desde o sofrimento às mentiras e tensões da época. Bem recebido e aclamado pela Academia, o filme conquistou cinco das mais importantes estatuetas dos Óscares: Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Ator, Melhor Atriz (Louise Fletcher) e Melhor Argumento (Lawrence Hauben e Bo Goldman).

No entanto, é impossível falar de Forman sem mencionar aquele que foi, também, uma das suas maiores obras cinematográficas: Amadeus.

Corria o ano de 1984 quando o cineasta realizou a biografia livre do compositor Wolfgang Amadeus Mozart, que retrata os seus tempos de juventude e a sua disputa com Antonio Salieri, outro músico prodígio da época. Com Viena como plano de fundo, o filme em questão foi nomeado para 11 Óscares, tendo ganho oito, incluindo o de Melhor Filme e Melhor Realizador.

Milos Forman deixou-nos ontem, mas ninguém se esquecerá dele. Mais do que um realizador, argumentista ou ator, Forman viveu e relatou a América moderna como poucos.