Emma Watson é atriz, modelo e ativista. No dia em que comemora o 28.º aniversário, o Espalha-Factos recorda o percurso da atriz britânica, que tem ganho notoriedade tanto no grande ecrã como fora dele.

Na adaptação da saga Harry Potter ao grande ecrã, Emma Watson foi Hermione Granger. Este papel catapultou-a para o estrelato internacional e permitiu-lhe continuar a representar mesmo depois do capítulo final da série sobre magia.

Contudo, aos 28 anos, os feitos de Watson vão muito para além da sua carreira cinematográfica. Enquanto ativista, tem procurado dar visibilidade a várias causas como o feminismo e a sustentabilidade da indústria da moda.

A infância e o início de carreira de Watson

Emma Charlotte Duerre Watson, ou Emma Watson, como é mais conhecida, decidiu que queria ser atriz aos seis anos. Nascida em Paris, França, a 15 de Abril de 1990, Watson é filha de pais advogados, que se divorciaram quando esta tinha apenas cinco anos.

Aos nove anos, quando vivia com a mãe e o irmão Alex em Oxfordshire, Inglaterra, conseguiu o seu primeiro grande papel. Após oito audições e sem qualquer experiência profissional, Emma foi a escolhida para dar vida a Hermione Granger no filme baseado no primeiro livro de J.K. Rowling: Harry Potter e a Pedra Filosofal.

Durante uma década (2001-2011), vimos a atriz britânica crescer enquanto interpretava esta personagem. Ao lado de Daniel Radcliffe e Rupert Grint, Emma Watson protagonizou um dos maiores fenómenos no cinema juvenil. Todos os filmes da saga estão entre os 50 maiores sucessos de bilheteira de todos os tempos, e o Wizarding World (que inclui as séries Harry Potter e Fantastic Beasts) é o terceiro franchise mais rentável no que toca à bilheteira.

No mesmo ano em que saiu Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2, Emma despiu pela primeira vez a pele de Hermione. No filme My Week with Marylin interpretou Lucy e contracenou com Eddie Redmayne.

Desde então sucederam-se outros projetos. The Perks of Being a Wallflower (2012), The Bling Ring (2013) e Noah (2014) foram apenas alguns dos títulos onde se destacou. No último ano (2017), contracenou com Tom Hanks em The Circle e protagonizou a versão não animada de A Bela e o Monstro.

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Emma Watson contracenou com Tom Hanks, enquanto Mae no filme The Circle.

No total, Emma Watson contabiliza já 59 nomeações. Destas, ganhou 29 prémios, nomeadamente um BAFTA para Atriz do Ano, em 2014.

Apesar do seu principal foco ser a representação, a atriz já fez alguns trabalhos enquanto modelo. A sua carreira nesta área começou em 2005 quando se tornou a pessoa mais jovem de sempre na capa da Teen Vogue. Posteriormente, a atriz participou em campanhas para as marcas BurberryLâncome.

Entre 2011 e 2014, Emma Watson conciliou também a sua agenda profissional com a vida académica. Estudou na Brown University e na Oxford University e licenciou-se em Literatura Inglesa.

Quando a vida imita a arte

Nos livros de Harry Potter, Hermione Granger tem fortes convicções sobre o certo e o errado. Assim, a pequena feiticeira de origem muggle não fica indiferente à forma como os elfos domésticos, como Dobby, são tratados. Para garantir os direitos destas criaturas, Granger funda a S.P.E.W (‘Society for the Promotion of Elfish Welfare’,), o que em português seria qualquer coisa como ‘Sociedade para a Promoção do Bem-Estar dos Elfos”.

Apesar desta faceta da personagem nunca ter sido representada nos filmes, Emma Watson revelou-se muito mais parecida com a sua personagem do que poderíamos pensar.

Ativismo ambiental

Uma das causas de Watson é a da sustentabilidade ambiental, particularmente na indústria da moda. Desta forma, um dos primeiros atos de ativismo que lhe são conhecidos foi a sua associação à People Tree em 2009. A marca de comércio justo procura promover soluções sustentáveis que promovam desenvolvimento e justiça social em países em vias de desenvolvimento, assim como a proteção do ambiente.

Em associação com esta marca, a atriz esteve envolvida na produção de três coleções de roupa orgânica. Nas fotografias de promoção da coleção é possível observá-la entre os modelos.

Sobre estas coleções, Watson notou, em declarações ao Telegraph, que não tem treino nem competências na área da moda. Ainda assim, afirmou ser uma artista que desenha e pinta e que teve o apoio de uma boa equipa.

“Eu desenhei esta coleção para mim e para os meus amigos. São o tipo de coisas que vestimos – com a diferença que são ecologicamente corretas.”

Em 2015, Emma Watson entrou no Green Carpet Challenge, comprometendo-se a usar exclusivamente vestuário sustentável nas galas de prémios. Em 2017, a atriz abriu uma nova conta no Instagram (@the_press_tour) somente para promover roupa produzida de forma ética e sustentável.

Uma das principais caras do feminismo

O percurso trilhado por Emma Watson em questões de feminismo começou em 2012. Nesse ano, a atriz foi nomeada embaixadora da Camfed International, um movimento que pretende promover a educação das raparigas na África rural. Com este propósito, Watson visitou nos anos seguintes a Zâmbia e o Bangladesh.

Contudo, as ações da atriz só ganharam maior visibilidade mediática em 2014, quando foi nomeada embaixadora da Boa Vontade da ONU Mulheres. Durante este ano, Watson fez a primeira visita em representação das Nações Unidas, ao Uruguai, onde promoveu a participação política das mulheres.

O ano de 2014 foi ainda o ano do lançamento da HeForShe, que contou com a participação de nomes como Barack Obama e Matt Damon. A campanha da ONU procura promover o envolvimento dos homens na luta pela igualdade de género. Emma Watson, no seu papel de embaixadora, foi uma das principais caras da campanha. O discurso que fez durante a cerimónia de lançamento do projeto correu as redes sociais.

No ano seguinte, e com apenas 25 anos, Emma Watson foi considerada pela primeira vez uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista TIME. No artigo sobre Watson, Jill Abramson, a primeira mulher a ocupar o lugar de chefe executiva nos 160 anos de história do New York Times, elogiou a jovem atriz.

“O alter ego de Emma Watson, Hermione Granger, aprovaria sem dúvida a campanha HeForShe e a sua corajosa e inteligente tomada do feminismo. É especialmente refrescante ver os homens convidados a juntar-se à luta pela igualdade de género”.

Esta parte da sua vida tornou-se de tal forma importante que em 2016 a atriz afastou-se da representação para se dedicar a tempo inteiro ao feminismo. Durante este ano, Emma Watson foi alvo de críticas por parte de outras feministas, algo que admitiu em entrevista à Elle ser algo difícil de lidar, por considerar estas pessoas os seus pares na mesma luta. Ainda assim, a jovem afirmou que no final do ano sabático se sentia mais forte.

“Agora não tenho a certeza se me importo muito com o que as pessoas pensam; é mais [a preocupação de] não viver à altura das minhas próprias expectativas”.

Foi também nesse ano que a atriz criou um clube de leitura feminista. Todos os meses é escolhido um livro que é discutido ativamente na última semana do mês. O objetivo é divulgar os ideais feministas através da leitura. Para dar mais visibilidade a esta iniciativa, Watson chegou a distribuir livros nos metros de Londres e Nova Iorque.

Em 2016, a atriz esteve também envolvida na produção do filme Hurdles, enquadrado nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A partir das imagens de uma prova de corrida de barreiras dos Jogos Olímpicos de 1964, a atriz elabora uma metáfora sobre os obstáculos já superados e que ainda estão por superar na luta pela igualdade de género.

Neste ano, Watson foi ainda galardoada com o prémio “Representação e Ativismo” dos Women Film Critics Awards, pelo seu trabalho na ONU.

Emma Watson em 2018

Após ter tirado 2017 para se dedicar mais ao cinema, Emma Watson está de volta ao ativismo em força. A atriz iniciou 2018 com a participação no movimento #MeToo, vestindo-se simbolicamente de preto na 75.ª Gala dos Globos de Ouro. Watson convidou ainda Marai Larasi, uma das maiores figuras do feminismo negro na Grã-Bretanha, para a acompanhar na cerimónia. Emma Watson e Marai Larasi na 75º cerimónia dos Golden Globes.

A atriz expressou também apoio ao movimento Time’s up via Facebook. No segundo mês do ano, a atriz apelou a donativos para o fundo de Justiça e Igualdade do Reino Unido, associado à iniciativa. Para Emma, é importante que também no seu país se lute para que as “mudanças positivas” que estão a ocorrer nos EUA sejam adotadas.

“A minha grande paixão sobre tudo isto tem sido garantir que este é um movimento global. Que isto é sobre mulheres e homens a erguerem-se lado a lado em todos os locais de trabalho”

Em março, Emma foi editora convidada da Vogue Austrália. Numa edição especial, a atriz ajudou a elaborar a revista e a focar os artigos em algumas das causas que defende. Entre os temas abordados, há artigos como as marcas sustentáveis que prefere e uma entrevista a Malala.

Esta não foi a primeira entrevista que Malala Yousafazai concedeu a Emma Watson. O percurso das duas tinha-se já cruzado em 2016, no Into Film Festival que incluiu o filme He named me Malala, um documentário sobre a luta da mais jovem prémio Nobel pelo direito à educação. Num Q&A presidido por Watson, Malala admitiu a influência da atriz britânica teve no seu percurso.

“Eu hesitava em apelidar-me de feminista”, disse Malala a Watson, “depois de ouvir o teu discurso, quando dizes ‘se não agora, quando?’, decidi que não há forma nem há nada errado em nos assumirmos feministas. Portanto sou feminista e todos devíamos ser feministas, porque feminismo é outra palavra para igualdade.”

Por entre críticas e grandes feitos, Emma Watson conseguiu inegavelmente sagrar-se uma personalidade de destaque à escala mundial. Não só como talentosa atriz, Watson alcançou igualmente reconhecimento enquanto ativista ao usar a sua fama em proveito das causas que abraça. Num artigo de 2017, um artigo de opinião do The Guardian sobre o seu percurso conclui:

“Uma das formas de compreender o ativismo típico do século XXI de Watson é vê-la como uma empresária multifacetada na linha de Beyoncé e Gwyneth Paltrow. Só que em vez de usar a sua marca para promover uma linha de perfumes ou livros de culinária, usa-a para promover a igualdade de género.”

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