Sexta-feira 13 e um disco para ser apresentado em solos lisboetas. Para os mais supersticiosos, a tarefa duplicaria em exigência. Todavia, para os Paus, ganhar o Capitólio era um mero exercício de se deixarem ser. Em todo o seu esplendor, Madeira (e não só) foi exibido e tocado por quatro nomes que já não conseguem ser omitidos quando falamos da história da música portuguesa.

O grupo confirma a sua chegada com um punhado de músicas do novo álbum. Destas, escutamos a atmosférica “Sebo Na Estrada” ou a caricata “Blusão de Ganza I“. Sentindo-se em casa, os lisboetas iam tocando num cenário pouco ou nada iluminado, deixando, assim, que as imagens que iam sendo projectadas se aliassem à sonoridade deste quarto álbum.

No entanto, embora o público tenha demonstrado que sabia os pormenores líricos de “L123“, “Faca Cega” ou a homónima “Madeira“, houve espaço para os Paus tocarem músicas como “Pela Boca” ou “Era matá-lo“, que o baterista Joaquim Albergaria qualifica como “uma música sobre desejo“.

A insustentável energia dos Paus

Chegando ao final da primeira parte do concerto, notamos que aquilo que esta banda transmite é demasiado para se confinar apenas numa sala fechada, ainda que histórica. Os Paus já não são só mais uma banda, nem mais uns Battles. São, sim, um grupo com identidade, um dos maiores da música alternativa portuguesa.

Desse modo, após terem voltado ao palco, chegamos a escutar “Pelo Pulso” com um certo arrepio. A energia e entrega que é dada a estas músicas é muito maior àquela que é dada por músicos que se conformam com o seu estatuto na música.

Embora meio cheio, o Capitólio vibrou com todas as músicas que foram tocadas e, assim, contentava-se com um concerto sem o ponto de partida de Fábio Jevelim, Joaquim Albergaria, Hélio Morais e Makoto Yagyu. O momento era inesperado, mas “Deixa-me ser” acaba por ser tocada, sendo essa a despedida dos Paus.

A meio do concerto, é dito pela banda que “Quando existe amor, uma ilha basta“. Para nós, quando existe amor, não nos contentamos com um concerto, nem com mais um álbum fantástico. Que os Paus continuem a fazer música.

Este slideshow necessita de JavaScript.