São muito mais do que mais uma banda indie experimental: Galgo é um grupo que sabe elevar-se, face a rótulos, críticas, e que deseja ficar. Dia 16 de abril, lançam o seu segundo álbum, Quebra Nuvens.

Assim, andámos à conversa com a Joana Batista, baterista da banda, a fim de entendermos um pouco mais sobre o que aí vem, mas não só: que história existe atrás daqueles que galgam contra o improvável?

Conhecemo-nos todos na secundária de Miraflores e começámos como um projeto em que tocávamos mais cenas do indie.” Na realidade, o nome só surge em 2015, embora o alinhamento se tenha sempre mantido o mesmo: Joana na bateria, João Figueiras no baixo, Miguel Figueiredo e Alexandre Sousa nas guitarras.

Nenhum deles possui um curso de música. Deste modo, aquilo que aprenderam veio da “intuição, da ideia de quebrar a rotina”. “Tudo veio da música. Eu e o Miguel ainda tivemos umas aulas, mas a nossa educação veio, principalmente, daquilo que ouvimos.” 

Uma história de sorte e de Galgo

Com apenas duas músicas, os Galgo conseguiram tocar em palcos de festivais nacionais e internacionais, como o Sziget, um dos maiores na Europa. Sobre isso, Joana afirma que “não se deveu só ao mérito próprio nem ao acaso, à sorte. Não fomos desleixados: tivemos muito trabalho, muitos ensaios. Também não digo que não enfrentámos bandas fixes, mas o esforço compensa.”

No entanto, a baterista do grupo considera que o panorama da música portuguesa não deixa de ser “uma bolha meio fechada, meio aberta”. Os festivais são “sempre uma grande oportunidade, mas poderiam existir outras formas. Há uma abertura que é difícil de entender para as bandas novas.”

De EP5 a Quebra Nuvens

No seu percurso, a banda já tem dois registos editados e um pronto para ser lançado. Em EP5 e Pensar Faz Emagrecer, torna-se evidente o caminho que a banda decidiu escolher: experimentar sonoridades sem preconceitos. Mesmo que sejam considerados pós-Battles ou pós-Paus, “continuamos a fazer aquilo que queremos”, admite.

“O EP5 foi o nosso ponto de partida. Retrata muito a nossa aprendizagem e para onde é que gostávamos de ir. É também um disco sem palco. Agora, as coisas são mais faladas, mais pensadas e isso pode notar-se em “Bambaré”. Hoje, temos a possibilidade de ir experimentando arranjos ao vivo e de ver como as pessoas reagem.”

 

Quebra-Nuvens é, então, o segundo LP dos Galgo. O nome, segundo Joana, “tem uma justificação que só se vai perceber mais adiante. Não queremos manter nem quebrar nada, mas, sim, contar uma história que já está a ser enfatizada no videoclip de Bambaré.” 

Gravado nos estúdios Haus, produzido por Fábio Jevelim e Makoto Yaguy dos Paus, a banda sentiu o papel vital que a confiança e energia que estes entregaram não só no processo de gravação, como de produção. “Tivemos muito trabalho, poucas dias de gravação e eles acolheram-nos de braços abertos. Foi um disco gravado em família.

“Pela primeira vez, conseguimos ouvir as músicas como estavam na nossa cabeça e extrair o melhor delas.”

Para o futuro, já existem ideias: em primeiro lugar, sabemos que os Galgo estão prontos para meter mala às costas e ir para os palcos; em segundo, Joana Batista conta-nos que “irão acontecer coisas que vêm deste álbum.”

Quebra Nuvens vai ser apresentado, dia 20 de abril, na Festa Galgo, localizada no Musicbox.