O novo livro do escritor Mário de Carvalho, Burgueses somos nós todos ou ainda menos, com título retirado de um poema de Mário Cesariny, chegou ontem às livrarias.

Raio de Luz
Burgueses somos nós todos
ou ainda menos.
Burgueses somos nós todos
desde pequenos.
Burgueses somos nós todos
ó literatos.
Burgueses somos nós todos
ratos e gatos.
Burgueses somos nós todos
por nossas mãos.
Burgueses somos nós todos
que horror irmãos.
Burgueses somos nós todos
ou ainda menos.
Burgueses somos nós todos
desde pequenos.
Mário Cesariny, «Nobilíssima Visão»

Para assinalar o regresso de Mário de Carvalho à escrita de ficção, este livro conta “histórias de burgueses desencantados”, segundo nota da Porto Editora, que chancela a obra.

O livro reúne 11 contos, revelando o olhar do autor sobre a sociedade que o rodeia. Traições e amantes, as crises económicas, mas não só, o envelhecimento, a viuvez e a ambição são algumas das temáticas abordadas nas histórias destes burgueses de Mário de Carvalho, cuja obra completa tem estado a ser reeditada também pela Porto Editora.

Mário de Carvalho

Foto: Wook

Mário de Carvalho retrata a sociedade de um Portugal desencantado. Um marido recalcitrante ludibriado pela mulher defunta, um casal num jantar de amigos, um recém-viúvo percorrendo a lista das suas conquistas mais assíduas, dois homens de meia-idade rememorando no luxo das suas casas os tempos de jovens revolucionários, são alguns dos quadros narrativos apresentados pelo autor.

O autor

Mário de Carvalho, de 73 anos, licenciou-se em Direito, na Universidade de Lisboa, e durante serviço militar obrigatório foi preso, acusado de oposição ao regime ditatorial que vigorava em Portugal antes do 25 de Abril de 1974.

Depois de derrubado o regime, exerceu advocacia em Lisboa, cidade onde nasceu, e estreou-se literariamente, em 1981, com Contos da Sétima Esfera.

Até agora, publicou já cerca de 30 títulos, entre eles A inaudita guerra da Avenida Gago Coutinho, Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde A Sala Magenta.

Ao longo da sua carreira, foram já inúmeros os prémios que ganhou. Entre eles estão dois Prémios Fernando Namora, o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, os prémios Pégaso de Literatura e Literário Giuseppe Acerbi, um Prémio de Ficção do P.E.N. Clube Português, o Grande Prémio de Teatro, da Associação Portuguesa de Escritores, e, em 2008, pelo conjunto da sua obra, foi-lhe atribuído o Prémio Vergílio Ferreira, da Universidade de Évora.