Albano Jerónimo foi convidado para comentar o orçamento que o estado atribuiu ao setor da cultura num noticiário, no entanto, o ator acabou por nunca a chegar a entrar em direto, após a sua participação ter sido consecutivamente adiada devido a uma polémica desportiva.

O ator é um dos rostos conhecidos que abraçou a luta dos agentes culturais, que protestam contra a insuficiência dos subsídios estatais. Na sua página de Facebook, Albano Jerónimo mostrou a sua indignação, por o canal ter dado primazia ao desporto rei, deixando a polémica na cultura de lado.

O sucedido aconteceu precisamente no dia em que decorreu, tal como disse o ator, o “maior ajuntamento da classe artística que há memória num pós 25 de abril”. O dia 6 de abril ficou marcado por protestos espalhados por várias cidades do país. Em Lisboa os manifestantes pediam a demissão do secretário de estado da cultura.

Após terem adiado consecutivamente a entrada do ator em direto, os responsáveis pelo noticiário acabaram por informar Albano Jerónimo que já não haveria tempo para o espaço dedicado à crise cultural. Segundo o ator “o tema futebol tinha ganho o protagonismo”, sendo que a maioria dos noticiários daquele horário decidiu dar importância à polémica no Sporting Clube de Portugal e do seu presidente Bruno de Carvalho.

Mais do que um Ministério da Cultura, é preciso um governo de cultura

Era com esta frase que Albano Jerónimo começaria a sua intervenção no noticiário da SIC, no entanto não foi ele quem a disse. A frase é do atual primeiro-ministro António Costa, e data de 2015, aquando da campanha para as eleições legislativas.

O setor cultural, com principal ênfase no teatro, tem contestado, ao longo dos últimos dias, contra as alterações na atribuição de subsídios às organizações culturais. A polémica começou com a divulgação dos resultados provisórios das candidaturas ao apoio da Direção-Geral das Artes (DGArtes) que, segundo os profissionais do setor, ficaram muito aquém do esperado. O teatro, que sempre recebeu a maior fatia dos apoios governamentais, foi o mais prejudicado. De fora do financiamento para o próximo quadriénio (2018-2021) ficaram companhias de teatro com várias décadas de trabalho, que veem agora a sua situação dificultada.

Ao ator Albano Jerónimo juntaram-se rostos bem conhecidos, que quiseram marcar presença na manifestação na cidade de Lisboa. Rita Blanco, João Botelho, Maria Rueff, João Lourenço e Mariana Monteiro foram algumas das figuras que também participaram no protesto.

A classe artística exige, neste momento, uma fatia de 1% do valor total do Orçamento de Estado para o financiamento do setor cultural. Na concentração em frente ao Teatro Nacional D. Maria II reclamou-se o “reforço imediato” de 25 milhões de euros para a cultura, como a única maneira de garantir a continuidade plena da atividade artística em território português.

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