Mad Max: Estrada da Fúria tomou os cinemas de assalto em 2015. Uma mistura explosiva de ação sem freios, ancorada num ensemble feminino cheio de garra, a obra é largamente considerada um dos melhores filmes do seu ano, tendo vencido seis Oscars e lucrado cerca de €309 milhões nas bilheteiras mundiais. O seu momento mais icónico é dramático, no entanto, emoção humana no meio de toda a parada de CGI, e o realizador George Miller veio agora revelar como foi conseguido, à rubrica Untold Stories da Entertainment Weekly.

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A cena chega depois de 90 minutos de adrenalina imparável, regados a diálogo pragmático e um score eletrónico. Passados inúmeros apuros e uma perseguição sem tréguas, Max (Tom Hardy) e a desertora Imperator Furiosa (Charlize Theron) são finalmente chegados ao mítico “Lugar Verde das Muitas Mães”, a terra de onde Furiosa foi levada em criança. É aí que as Mães que ficaram lhes revelam que o santuário virou tão tóxico e estéril como o deserto que atravessaram.

A câmara de Miller foca-se no rosto de Theron, no momento em que Furiosa aceita que o seu lar já não existe. “Quando alguém recebe notícias mesmo devastadoras, a coisa torna-se fragmentada“, justifica Miller a estratégia usada na perceção da troca de diálogo das restantes Mães. “Estamos a apanhar o suficiente da história para perceber que algo de mal aconteceu, não um relatório ambiental lá do sítio, e isso transparece na cara [da Furiosa]”.

Nunca tendo havido um verdadeiro guião para Mad Max: Estrada da Fúria, somente storyboards detalhados da totalidade do filme, Miller apenas procurava que Furiosa tirasse um momento para si, que iria gravar à distância. No dia da filmagem, contudo, o vento no deserto da Namíbia ameaçava arruinar tudo, pelo que Miller teve que encontrar maneira para que este jogasse a seu favor.

Em vez de rogar pragas ao vento, olhei para trás e vi que o vento soprava a areia rasante das dunas. E o sol estava a pôr-se. Pensei, “ela podia atravessar a duna, na direção do sol, e reagir conforme pudesse, tendo agora perdido toda a esperança”.

O tempo para conseguir o shot era escasso, e Miller apenas sugeriu a Theron que removesse o braço prostético enquanto se afastava, a fim de se mostrar mais vulnerável. Fora uma falsa partida. Theron conseguiu o momento em que se deixa cair na areia a gritar ao pôr-do-sol num único take, aquele que é, discutivelmente, o mais épico de todo o filme.

Miller revela ter aprendido de Jack Nicholson, “um homem muito sábio“, que “os atores são como atletas de elite – têm que conseguir a performance logo ali no momento, independentemente do que está a acontecer“. Das capacidades de Theron, nunca duvidou:

A Charlize é muito precisa; tendo sido bailarina, ela tem noção de espaço e como se mover neste, e basicamente ficámos a vê-la fazê-lo. Agradeço aos deuses do cinema por todos os elementos se terem alinhado. Tivemos sorte com o vento, mas não teve nada que ver com sorte, conseguir o momento.

Recorda a já famosa cena:

E a prequela de Furiosa?

Rumores de uma prequela focada na heroína têm vigorado desde 2015, mas Miller ainda não tomou nenhuma decisão. Questionada pela Variety em julho passado, a atriz sul-africana disse ainda estar disposta para o desafio, para o qual há três guiões preliminares: “no fim de contas, isto só anda para a frente com o George [Miller], acho que a Warner Bros. sabe isso; estamos todos à espera que ele nos mostre o caminho“.

Quanto a Miller, não está ainda a postos para voltar a entrar no mundo de Mad Max. Numa entrevista ao The Independent, prestes a fazer um ano, o realizador australiano afirma que são “personagens e mundos que tendem a girar no fundo do pensamento, como amigos imaginários“, estando a postos dois guiões, quais “bíblias das histórias“; “caso os planetas se alinhem“, gerarão dois filmes.

Ficamos a aguardar.