Dois anos após o lançamento do álbum de estreia Leave Me Alone, as Hinds editaram um novo disco. I Don’t Run saiu esta sexta-feira (6) e mostra ao mundo uma banda mais matura e musicalmente desenvolvida.

Se elas já tinham gravado o seu nome no mundo da música, o quarteto feminino madrileno está agora na dianteira do rock lo-fi. A sua peculiaridade continua a ser o mais marcante. São espanholas, cantam inglês e não escondem o sotaque, são uma girls band e não se confinam àquela caixa criada pela sociedade que é “ser feminina”.

Com as Hinds nada se perde, tudo se transforma

As Hinds iniciam esta nova corrida com The Club. Este foi o segundo single apresentado aos fãs e denotou logo uma evolução instrumental no som das espanholas. Em vez de guitarras arranhadas que sobressaem perante o resto, vemos um maior trabalho no arranjo musical. Os sintetizadores brilham mais neste álbum.

Soberland, Tester e To The Morning Light são também exemplos de temas onde vemos um desenvolvimento do trabalho musical do quarteto, nomeadamente nos arranjos vocais. Ana Perrote e Carlotta Cosials continuam a ser as vozes desta banda, mas há agora uma maior harmonia entre as duas e mais equilíbrio com os instrumentais.

RookieFinally Floating e New For You são outras duas canções muito vibrantes, mas mais semelhantes à sonoridade do álbum de estreia. Ainda assim, à exceção da última, identificam-se alterações subtis. Ouvem-se refrões com guitarras elétricas mais fervorosas, mas também se ouve a bateria de Amber Grimbo que, em certos momentos, lidera uma cadência mais vagarosa.

Uma balada a la Hinds e um acústico para o adeus

Noutro patamar está Linda. A terceira música de I Don’t Run é uma balada ao estilo Hinds que integra influências da banda norte-americana The Strokes. A sonoridade deste tema tem uma clara relação com o álbum Angles (2011) – Machu Picchu, Taken for a Fool e Under Cover of Darkness – da banda de Albert Hammond Jr. com quem as Hinds estiveram em tour, recentemente.

Uma coisa que não mudou neste segundo álbum das Hinds foi o tema das músicas. Continuam a refletir as experiências amorosas dos 20 anos. As indecisões, questões, emoções próprias desta idade dominam as letras da banda. Echoing My Name e I Feel Cold But I Feel More são, na minha opinião, as que melhor combinam os versos com a parte instrumental. Calmas e ternurentas quando a letra o indica e mais agressivas quando as emoções que relatam são mais cruas.

O álbum termina com Ma Nuit. Título em francês, cantada em espanhol e inglês, é uma autêntica lullaby com influências da música tradicional espanhola. Ouvimos Carlotta e Ana acompanhadas apenas de uma guitarra acústica e ouvem-se pássaros ao longe. Despedem-se com uma música totalmente diferente daquilo que as caracteriza, mostrando que as Hinds têm ainda muito para dar e que o rock lo-fi não é a única coisa que sabem fazer.

Sem se reinventarem por completo, as Hinds mostram como se faz bom rock em Espanha. Têm evidentes inspirações em bandas já veteranas e noutras da sua geração, mas elas criam o seu próprio som. A sua identidade já estava criada, mas agora está mais definida e trabalhada.