Ainda mal entrámos no rescaldo do escândalo que envolveu o Facebook e a Cambridge Analytics e descobrimos, em poucos dias, que a rede social analisa as mensagens dos utilizadores no Messenger [esta já não é bem novidade para ninguém] e que os seus gestores têm acesso a uma funcionalidade que lhes permite apagar mensagens que enviam na plataforma de instant messaging sem que os destinatários tenham conhecimento disso.

A análise às mensagens no Messenger

Em entrevista à Vox, a 2 de abril, Mark Zuckerberg mencionou que o Facebook utiliza um sistema automático que analisa as mensagens de texto, imagens e outros conteúdos enviados através do Messenger. As mensagens marcadas por este sistema são depois lidas por moderadores, que podem bloquear o envio ou removê-las.

O fundador da rede social referiu que a análise automática serve para garantir que os Padrões da Comunidade são respeitados. A empresa defendeu a prática, referindo que o resultado da análise às mensagens no Messenger não é partilhado com anunciantes e que não escuta chamadas de voz ou vídeo.

A prática não é exclusiva do Facebook. A Google, por exemplo, monitoriza os emails do Gmail e afirma-o explicitamente nos Termos do Serviço.

Our automated systems analyze your content (including emails) to provide you personally relevant product features, such as customized search results, tailored advertising, and spam and malware detection. This analysis occurs as the content is sent, received, and when it is stored.

“Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros”

Se, por um lado, a rede social monitoriza os conteúdos no Messenger, por outro utiliza uma ferramenta interna que remove as mensagens dos executivos da rede social da caixa de entrada das pessoas com quem comunicam. Por exemplo, se enviarem uma mensagem ao Mark Zuckerberg, ele fica com uma cópia dela para sempre. Se ele vos enviar uma mensagem, ela pode ser apagada sem que haja sequer uma notificação ao recetor.

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Um representante do Facebook disse, em declarações ao Techcrunch, que a ferramenta foi criada em 2014, depois do ataque informático à Sony que resultou no leak de alguns emails embaraçosos de executivos da empresa. A mesma fonte referiu que a remoção das mensagens é feita dentro dos limites da lei.

O secretismo da ferramenta e a falta de algo semelhante para todas as contas desagradou a vários utilizadores. Isso levou a empresa a pedir desculpas e a prometer desativar a ferramenta até a poder disponibilizar a todos os utilizadores.