Isao Takahata, realizador japonês de animação e co-fundador dos estúdios Ghibli ao lado de Miyazaki, morreu ontem, dia 5 de abril, aos 82 anos.

Hols, Marco e a criação dos Alpes de Heidi

Estudante de literatura à procura de trabalho, Takahata, não sabia bem onde se iria meter. Conseguiu muito cedo na sua carreira o cargo de assistente de realização na produtora de animação Toei, iniciando aqui a sua carreira de realizador. Estreou-se com Hols : Prince of the Sun (1968) , filme que viria a ser um fracasso.

Mais tarde foi convidado pela Zuiyo Enterprise a juntar-se à equipa e criou as séries Heidi (onde Hayao Myiazaki também trabalhou) e Marco. Ambas tornaram-se em obras fulcrais da indústria de anime e no movimento de expansão para o ocidente. Colaborou também em Conan, o rapaz do futuro, de Myiazaki.

 A presença no Estúdio Ghibli e Kaguya

Co-fundou, em 1985, o estúdio Ghibli com o seu já parceiro Hayao Miyakazi. Um marco da animação japonesa, o estúdio, conseguiu revolucionar e dinamizar toda uma indústria. Dele saíram filmes tão aclamados como: O Meu Vizinho Totoro (1988), O O Túmulo dos Pirilampos (1988) e A Viagem de Chihiro (2001)o único filme japonês até à data a ganhar o Oscar para melhor filme de animação.

No estúdio, Isao Takahata realizou filmes como O Túmulo dos Pirilampos, a sua obra prima, retratando a história de dois irmãos que lutam para sobreviver na sua cidade, no Japão, durante a 2.ª Guerra Mundial. Aqui revemos o próprio Takahata, que sobreviveu a um bombardeamento durante este período. Também Memórias de Ontem (1991), uma aventura ecológica, Pom Koko (1994) ou A Família Yamada (1999).

Takahata, no entanto, nunca foi realmente a cara do estúdio. Afinal, nunca assinou contratos de distribuição com a Disney, como Myiazaki. Talvez, isto tenha ditado e influenciado o seu próprio cinema, e inclusivamente, o último filme que teve em produção durante 13 anos.

O Conto da Princesa Kaguya (2013) estreou em Cannes e foi nomeado para um Oscar. Esta adaptação, de um conto popular datado do século X, ganhou, a título de curiosidade, o Grande Prémio Monstra para melhor longa-metragem da 14º edição do Festival.

 O realizador disse na estreia do seu último filme que nunca mais viria a realizar. 

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Tendo sido o último filme com o seu carimbo enquanto realizador, Takahata ainda produziu depois o filme A Tartaruga Vermelha, em 2016.

Conhecido pelo seu senso de responsabilidade social, Takahata sempre focou os seus filmes na sua e na realidade japonesa. Com um tom sempre muito aventureiro, conseguindo construir uma emoção tal, que se torna esmagadora. 

Parte agora aos 82 anos e deixa um grande vazio no mundo do cinema. Um génio humanista que pintava mundos extraordinários a partir do mais banal do Homem.