Dizer que Cate Blanchett é uma das atrizes mais aclamadas da atualidade não é uma surpresa. Afinal, a atriz já venceu dois ÓscaresMelhor Atriz Secundária em 2005, por O Aviador, e Melhor Atriz em 2014, por Blue Jasmine – e foi nomeada outras cinco vezes. A australiana é conhecida pela sua carreira versátil, quer estejamos a falar das suas passagens pela Terra-Média de J.R.R. Tolkien e pelo Universo Cinematográfico da Marvel, ou pelas suas prestações em fitas de realizadores como Alejandro G. Iñárritu ou Todd Haynes. A sua obra prestes a estrear é, no entanto, uma fera completamente diferente. Manifesto é o filme que o Espalha-Factos destaca esta semana.

Manifesto parte das obras de futuristas, dadaístas, suprematistas e situacionistas de artistas do fluxus e cineastas do Dogma 95 para prestar homenagem à tradição literária dos manifestos artísticos, a fim de questionar o papel do artista na sociedade atual.

Blanchett personifica as ideias de figuras como Karl Marx, Claes Oldenburg, André Breton ou Jim Jarmusch ao longo de 13 segmentos, em que desempenha 13 personagens: uma sem-abrigo, uma corretora da bolsa, uma funcionária numa incineradora, uma CEO numa festa privada, uma punk, uma cientista, uma mulher num funeral, uma marionetista, uma mãe conservadora, uma coreógrafa, uma pivô de noticiário e a sua entrevistada, bem como uma professora.

Em várias instâncias declamados na fúria que as palavras espelham, os manifestos que Blanchett vocaliza refletem as dúvidas das suas gerações. Com paixão, a convicção dos seus artistas transcende as barreiras do tempo, conduzindo uma constante indagação sobre o quanto a dinâmica entre política, arte e vida terá mudado.

manifesto

Fonte: Divulgação/Pris Audiovisuais

A ambiciosa obra, realizada pelo artista Julian Rosefeldt, foi rodada em 12 dias em 2014, e inicialmente era apenas uma instalação artística, encomendada pelo Australian Centre for the Moving Image (ACMI). Em entrevista ao The Sydney Morning Herald, Rosefeldt revelou que o papel de Blanchett em I’m Not There – Não Estou Aí (2007), numa das vertentes de Bob Dylan, inspirou o trabalho: “ela é tão boa a mergulhar noutra identidade e fundir-se com esta, que achei fantástico tê-la a interpretar tantos personagens diferentes, algures a respeito da arte, já que ela aceitou colaborar comigo a partir do seu interesse nisso; aí, achei que seria mais fácil para ambos se nos focássemos na língua enquanto sujeito“.

Blanchett dá, literalmente, o corpo ao manifesto, numa performance já aclamada pela crítica. Mas o que significa realmente o projeto para Rosefeldt? “Manifesto é uma palavra que tem um peso histórico enorme; usei o título como uma declaração clara de que o foco principal neste trabalho é acima de tudo os textos, seja de artistas visuais, cineastas, argumentistas, artistas ou arquitetos, e sobre a poesia desses mesmos textos – «Manifesto» é uma homenagem à beleza dos manifestos dos artistas, um manifesto de manifestos”.

Lançada no ACMI em dezembro de 2015, a instalação já passou por cidades como Berlim e Nova Iorque, tendo a versão montada para cinema, com 95 minutos, estreado no Festival de Sundance de 2017.

A chegar as salas de cinema portuguesas esta semana, o filme conta com uma pontuação de 78% no Rotten Tomatoes.