A Netflix aventurou-se para fora do planeta, com a série Perdidos no Espaço. Na sexta feira 13 deste mês poderás perceber como é que isto aconteceu, mas antes disso o Espalha-Factos dá-te umas pistas sobre o que podes esperar.

A nova aposta da plataforma de streaming é um reboot de uma série dos anos 60 com o mesmo nome. Já foi também transformada num filme nos anos 90, e é referenciada várias vezes na cultura pop.

Assim podemos perceber que é uma história apelativa ao longo das gerações. A premissa base segue a família Robinson, que se voluntariou para a colonização de um novo planeta, o Alpha Centauri. Depois de realizados testes para garantir que se adaptariam ao novo ambiente, partem para a descoberta.

Pelo caminho, sofrem um desvio e acabam por cair noutro planeta a anos luz do destino original. Lá têm de descobrir como sobreviver, tentar contactar a nave-mãe para retornar ao caminho certo, e também encontrar outros sobreviventes. A história, não sendo muito original, consegue entreter, e é também um futuro que sentimos mais próximo.

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A área que Perdidos no Espaço domina melhor são os efeitos visuais. Desde as naves, o próprio planeta e as criaturas, tem tudo um aspeto realista. É futurista mas não exagera, por exemplo nas roupas, que pouco diferem das atuais.

Se é alguma indicação da qualidade das filmagens, a Netflix sentiu-se confiante para mostrar esta série mesmo no espaço. O primeiro episódio foi transmitido pela NASA para os astronautas na Estação Espacial Internacional.

perdidos no espaço

Não se tem a sensação de que se está a ver algo feito a computador. Este realismo também ajuda a transportar o espectador para dentro da série. Apesar de cada episódio ter uma ameaça ou um acontecimento perigoso que têm de enfrentar, as relações e as descobertas vão acontecendo progressivamente.

À medida que exploram o planeta vêem que não foram os únicos a despenhar-se ali. Mais personagens também significam mais histórias e oportunidades para diversificar os estilos que a série aborda.

Quem é a Família Robinson?

O elenco é bom, com alguns atores a destacarem-se mais, como é normal. Dentro da família Robinson, as performances dos filhos estão naturais, nomeadamente Will, o mais novo. Max Jenkins está encarregue do papel icónico do rapaz que encontra o robot. Já tem alguma experiência, em Sense8 e Popstar: Never Stop Never Stopping, onde faz a versão mais nova dos protagonistas.

Judy e Penny são as irmãs que estão sempre às turras. Judy (Taylor Russell) é a mais velha e também mais séria. A filha do meio é Mina Sundwall, que está encarregue da maior parte da comédia da série. Tem uma energia mais leve e descontraída.

perdidos no espaço

Os pais são personagens interessantes porque não são o casal perfeito. Na verdade, estão com bastantes problemas, que vêm com eles já desde o planeta Terra. A interpretar Maureen está Molly Parker, de House of Cards, que nos dá uma mãe inteligente e preocupada. Toby Stephens, de Black Sails, é o militar John Robinson, que se está a esforçar para compensar os erros passados.

Dr. Smith era uma personagem mítica da série dos anos sessenta, que foi agora convertido para uma mulher. Parker Posey ficou com a responsabilidade de dar vida à manipuladora, esperta e misteriosa doutora. Já nomeada para um globo de ouro por melhor atriz secundária numa minissérie, acrescenta profundidade à série.

Para fechar o grupo principal de personagens falta Don (Ignacio Serricchio), um contrabandista que viu os seus planos ir por água abaixo. Adiciona dinâmicas interessantes com as outras personagens, e é diferente do Don West da série original. Este é menos “limpinho” e, essencialmente, modernizado.

Um original Netflix

Quando se depararam com os episódios de La Casa de Papel, da Antena3, que tinham cerca de 1 hora de duração, decidiram dividi-los em capítulos mais curtos. Nesta produção original da Netflix, a escolha foi diferente. Os episódios têm entre 50 a 60 minutos, o que faz com que pareçam verdadeiros filmes sci-fi.

Ao contrário de um filme, a ação não fica completamente resolvida, também provavelmente porque os episódios são logo todos divulgados. Para perceber na totalidade os acontecimentos é preciso seguir a linha dos episódios. Não faria tanto sentido ter histórias com início, meio e fim, porque o objetivo da plataforma é que sejam consumidos de seguida.

No fundo esta é uma série familiar que tem uma dimensão extra de vida noutro planeta bastante realista. Perdidos no Espaço tem o potencial para conquistar o público, com o desenvolvimento das questões mais basilares sobre a sobrevivência e o futuro.