Após ter encabeçado a vanguarda do R&B em 2016, Gallant volta a projetar a sua voz. Gentleman, cujo vídeo foi estreado esta terça (3) pela rádio NPR, é o primeiro avanço do seu novo disco.

A canção foi produzida por Teddy Walton, que trabalhou em LOVE. de Kendrick Lamar e Zacari. Expondo o timbre sensual do cantor, é uma incursão pelo R&B sensual em que Gallant já dava cartas. A i-D nota que as letras delimitam o interlocutor como interesse amoroso, técnica recuperada dos anos 90.

Essa década perpassa também o vídeo, elaborado por Sasha Samsonova. A câmara foca-se no corpo de Gallant, sob uma luz azul. Constitui esta técnica uma referência ao trabalho do diretor Hype Williams. De acordo com Gallant, tenta recuperar a aposta em “formas diferentes de demonstrar o quão incrível a humanidade é“.

À NPR, esclarece que o tom intimista do visual exprime a “mais apurada representação de [si] enquanto ser humano, pessoal e artisticamente.” E será impossível ignorar a semelhança com o infame vídeo de Untitled (How Does It Feel) de D’Angelo, de 2001.

Os indícios do retorno de Gallant começaram no mês passado, com a revelação de uma curta digressão entre Nova Iorque e Los Angeles, acompanhada da frase “Gallant’s Back“. A data inaugural ocorre esta terça, na sala nova-iorquina Public Arts. No dia anterior, o artista revelou um excerto do vídeo de Gentleman no seu Twitter.

A consagração

Depois do EP Zebra, a carreira de Gallant cresceu ao longo de 2015 e 2016. Fez a primeira parte dos concertos de 2015 de Sufjan Stevens e auxiliou-o nos encores; a participação consta no álbum ao vivo Carrie & Lowell Live. Criou a série de vídeos In the Room, onde colaborou com artistas como Stevens, Seal, John Legend ou Dua Lipa.

A sua estreia em longa duração, em 2016, na forma de Ology, conseguiu-lhe uma nomeação para o Grammy de Best Urban Contemporary Album. Nesse ano, pisou o palco lisboeta do Coliseu dos Recreios, no segundo dia do Vodafone Mexefest. A propósito da atuação, Lia Pereira escrevia na Blitz: “o norte-americano contou com o poderio da sua voz, fortíssima nos falsetes, e com uma sua invulgar teatralidade para mostrar ao que vinha.