Provavelmente, o nome “Jonny Greenwood” já te apareceu à frente de alguma forma. Pode ter sido nos créditos de um filme, no cartaz de algum festival ou até na parte de trás de um álbum dos Radiohead. O músico auto-didata sempre teve a sua carreira assegurada na banda, mas não lhe foi suficiente. Hoje, já conta com uma nomeação para um Óscar de Melhor Banda Sonora (por Phantom Thread).

Greenwood em relação aberta com a música e o cinema

O natural de Oxford desde cedo começou a sua jornada criativa e, em miúdo, já mostrava certas aptidões que o tornavam num prodígio – especificamente por construir pequenos sintetizadores (e afins) com o irmão Colin. Desistiu da faculdade três semanas depois de ter começado a estudar Música e Psicologia, porque os Radiohead tinham acabado de assinar contrato com a EMI.

Enfim, tanto se pode dizer de um talento raro como o que Jonny Greenwood representa. Nos Radiohead, ocupa um lugar de destaque pelo “casamento criativo” com Thom Yorke que dá origem a sonoridades pouco ortodoxas e extravagantes. No cinema, é ele que toma conta dos soundtracks da maioria dos filmes de Paul Thomas Anderson.

É Greenwood o grande pilar da sonoridade dos Radiohead. Apesar de fazer parte de um esforço coletivo, é ele que articula os contributos de cada músico na banda. O mestre orquestrador que arrisca, experimenta e confere uma autenticidade singular ao frenesim musical que são os Radiohead.

Anderson & Greenwood: uma dupla criativa inconvencional

Já lá vão mais de 10 anos desde que Paul Thomas Anderson deu um toque a Jonny Greenwood e o convidou para colaborar em There Will Be Blood (2007). O filme aclamado – que conta com o brilhante Daniel Day-Lewis – saiu em 2007 e foi o início de uma relação simbiótica como há poucas no mundo artístico. Desde aí, Greenwood compôs a banda sonora de The Master (2012), Inherent Vice (2014) e, mais recentemente, Phantom Thread (2017).

As composições atrevidas e arrepiantes de There Will Be Blood eram um sinal claro da dependência sonora que o filme tinha. O suspense que acompanhou Day-Lewis no ecrã transformou-se na neurose de The Master encarnada em Philip Seymour Hoffman. Já em Inherent Vice, Jonny serve-nos uma dose de um groove americanizado generoso.

No entanto, tudo mudou com Phantom Thread. Quem ouve a composição perspicaz antes de ver o filme recebe toda a narrativa de antemão e antecipa tudo o que Phantom Thread nos oferece. O trabalho obsessivo, cerebral e opulento de Jonny Greenwood preenche na perfeição os fantasmas do filme, define o ritmo das cenas e auxilia na perfeição a construção de personagens tão minuciosas.

Os sons mais tímidos nos filmes anteriores deram lugar a uma presença constante da música de Jonny Greenwood – o alcance das composições é infindável

Contudo, a primeira experiência no cinema foi em 2003 para Bodysong, um documentário de Simon Pummel sobre a vida humana. Ultra inspirado no próprio trabalho desenvolvido nos Radiohead, o vaivém Greenwood foi lançado e nunca mais caiu em Terra. Colaborou também com a realizadora Lynne Ramsay em We Need To Talk About Kevin (2011) e, mais recentemente, em You Were Never Really Here (2018).

Em 2015, Greenwood e o músico israelita Shye Ben Tzur gravaram um álbum intitulado de Junun. Mais uma vez, Paul Thomas Anderson esteve lá para o tornar num documentário. As sessões de gravação deram origem a mais uma colaboração do músico com o realizador americano, provando que a relação deles é mais que sólida.

Jonny Greenwood conhece o mundo que pisa

Para além do ilustre trabalho coletivo que se desenvolve nos Radiohead, Jonny Greenwood é o homem dos sete ofícios. O grande problema aqui é ele não descurar nenhum deles nunca e surpreender-nos sempre mais com cada trabalho.

Seja numa composição para introduzir em pequenos momentos do filme ou para rechear o todo que o completa, o artista chega e realiza. É a distinta qualidade de Greenwood que nos oferece sons exuberantes que num minuto são sinistros e noutro explodem de romance. Não há perfeição nos soundtracks de Jonny Greenwood, mas sim emoção, esforço e naturalidade que são postos à mercê de quem os leva numa viagem sonora.