A controvérsia em torno da abordagem e temáticas de 13 Reasons Why já não é novidade. Cerca de um ano depois da sua estreia (a 31 de março de 2017), a produção original da Netflix continua a ser alvo de apreciações críticas díspares. Um estudo revelado pela Universidade de Northwestern (Illinois, Estados Unidos) veio indicar que o impacto da produção foi maioritariamente positivo.

O Departamento de Media e Desenvolvimento Humano da instituição de ensino superior realizou um estudo intitulado “Exploring how teens and parents responded to 13 Reasons Whyʺ, encomendado pela própria Netflix, a investigação quis entender de que forma é que pais e adolescentes responderam ao impacto social e emocional inerente à visualização da série norte-americana.

Baseada no livro de Jay Asher, a adaptação televisiva de Brian Yorkey relata a história fictícia de Hannah Baker (Katherine Langford), protagonista de um enredo em torno do seu suicídio. Uma caixa com cassetes gravadas por Hannah antes da sua morte revela os treze motivos por detrás da sua trágica (e misteriosa) decisão.

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Os resultados: Meras percentagens ou indícios de impacto social?

Ao averiguar de que forma a audiência de 13 Reasons Why se relaciona e se deixa influenciar pela trama norte-americana, os resultados positivos saltaram à vista. As conclusões do estudo revelam que a visualização da série serviu como ferramenta pedagógica para jovens; incentivou a discussão de temáticas significativas entre pais e filhos; e sensibilizou o público adolescente, promovendo sentimentos de empatia face ao testemunho de Hannah (Katherine Langford).

Mais de três quartos dos jovens inquiridos revelaram sentir-se representados. “A nossa base de dados sugere que, a nível mundial, os adolescentes relatam que a série retrata as suas vidas com precisão”, afirma Wartella, especialista na área de Crianças e Media. Claro está, as reações à série variam consoante a personalidade e estado de espírito de cada espectador, mas a investigação retrata uma tendência global de identificação face ao enredo. Entre a audiência jovem, 80% admitiu que outros indivíduos da sua idade lidam com problemáticas semelhantes às que são retratadas na série e 72% acreditam ser benéfico que adolescentes assistam à mesma.

Mas os resultados não se resumem à teoria, e muito menos a meros números. 74% dos espectadores adolescentes e jovens demonstraram que 13 Reasons Why os tornou mais conscientes do impacto que as suas ações têm nos outros. Cerca de metade dos entrevistados (51%) procuraram desculpar-se junto de quem tinham magoado, após conhecerem a teia de repercussões negativas na vida de Hannah, provocada pelas ações de quem a rodeava. Para além disso, mais de dois terços dos entrevistados admitiram passar a estar mais motivados a prestar auxílio a quem esteja deprimido e seja vítima de bullying ou agressão sexual.

13 Reasons Why

Alexis Lauricella, co-autora do estudo, reflete sobre a influência do original Netflix na audiência mais jovem: “Ficámos surpreendidos com estes resultados. […] Dado o elevado estádio de egocentrismo dos adolescentes, é poderoso vê-los pensar sobre como os demais se estarão a sentir”.

A investigação concluiu também que a produção da Netflix incentivou a discussão, uma vez que “(…) despoletou conversas entre pais e filhos sobre problemas que [estes] possam estar a enfrentar”, acrescenta Ellen Wartella. Dos espectadores adolescentes, 58% ganharam mais confiança em abordar as problemáticas com os pais, melhorando a comunicação entre ambas as partes. Por sua vez, 56% dos pais participantes confessam que assistir a 13 Reasons Why facilitou o debate com os respetivos filhos, referente aos tópicos da série.

Aclamada pela abordagem “nua e crua” de assuntos prementes da adolescência, a série norte-americana apresenta-se como uma tentativa visível de quebrar os tabus relacionados com o bullying, saúde mental, isolamento social, violência sexual, depressão e suicídio. Mas há sempre o outro lado da moeda: a produção de 13 Reasons Why é simultaneamente criticada por retratar de forma demasiado gráfica as cenas de suicídio e agressão sexual, considerado conteúdo inadequado para espectadores mais jovens.

Supervisionado por Ellen Wartella, o estudo adotou o método de inquérito a 5.400 indivíduos, dos quais 2.416 assistiram ao original Netflix. Esta amostra englobou pais, adolescentes e jovens adultos – com idades compreendidas entre os 13 e os 22 anos – oriundos de cinco países: Reino Unido, Estados Unidos, Austrália, Brasil e Nova Zelândia.