São Jorge foi o grande vencedor dos Prémios Sophia 2018. O filme arrecadou os principais galardões atribuídos pela Academia Portuguesa de Cinema. A cerimónia, que decorreu neste domingo (25) no Casino Estoril voltou a pôr a tónica na contestação, com enfoque na crise do cinema português e na falta de apoios.

A longa-metragem de Marco Martins, que retrata a crise que assolou Portugal sob a perspetiva de um pugilista desempregado, levou para casa sete das catorze estatuetas para as quais estava nomeada, a começar por Melhor Filme, Melhor Realização, Melhor Ator Principal, pela interpretação de Nuno Lopes e Melhor Ator Secundário pelo papel de José Raposo. Conquistou ainda Melhor Argumento Original, Melhor Fotografia e Melhor Direcção Artística.

Num dos discursos de agradecimento, Marco Martins afirmou o filme como um retrato da primeira crise da sua geração. “Todos os dias havia direitos que pareciam que nos eram retirados. Aquele filme é sobre a crise e sobre a minha crise, a nossa crise”, esperando ainda que “estes prémios ajudem a aproximar o público dos filmes portugueses”.

Nuno Lopes prosseguiu na mesma onda de contestação face aos fracos apoios à cultura portuguesa afirmando que “os anos da crise ainda não passaram”. “Continuamos a ser desrespeitados constantemente nos atrasos dos concursos e na forma pouco clara como são atribuídos”, continuou, referindo-se especificamente aos concursos de apoio ao cinema e audiovisual de 2018, que ainda não abriram.

Com a presença do secretário de Estado da Cultura, Miguel Honrado, na gala, o protagonista de São Jorge apelo: “A cultura é uma responsabilidade do Estado. Juntem-se a nós e façam a vossa parte, senhores governantes, ainda vamos a tempo. Um país sem cultura não é um país, é uma área mal ocupada”.

Entre as categorias destinadas às atrizes, Rita Blanco e Isabel Abreu foram as grandes vencedoras dos prémios de Melhor Atriz e Melhor Atriz Secundária, respetivamente, pelos seus papéis em Fátima e Uma Vida em Espera.

A Academia Portuguesa de Cinema atribuiu também três prémios de carreira. À caraterizadora Ana Lorena, ao realizador e ensaísta Lauro António e ao realizador recentemente falecido Artur Correia.

Vê a lista completa de vencedores:

Prémio de Mérito e Excelência:
Ana Lorena (caracterizadora)
Lauro António (realizador)
Artur Correia (realizador)

Melhor Filme – São Jorge

Melhor Realizador – Marco MartinsSão Jorge

Melhor Actor Principal – Nuno LopesSão Jorge

Melhor Actriz Principal – Rita BlancoFátima

Melhor Actor Secundário – José Raposo, São Jorge

Melhor Actriz Secundária – Isabel AbreuUma vida à espera

Melhor Fotografia – Carlos Lopes, São Jorge

Melhor Documentário em Longa-Metragem – Nos Interstícios da Realidade ou o Cinema de António de Macedo, de João Monteiro 

Melhor Documentário em Curta-Metragem – O homem eterno, de Luís Costa

Melhor Curta-Metragem de Ficção – Coelho Mau, de Carlos Conceição

Curta-Metragem de Animação – A Gruta de Darwin, de Joana Toste

Melhor Argumento Original – São Jorge, de Ricardo Adolfo e Marco Martins

Melhor Argumento Adaptado – A Fábrica de Nada, de Pedro Pinho, Luísa Homem, Leonor Noivo e Tiago Hespanha, baseado na peça original The Nothing Factory, de Judith Herzberg

Melhor Banda Sonora Original – Rita Redshoes & The Legendary Tigerman em Ornamento e Crime

Melhor Canção Original – Fim, de Lúcia Moniz em Uma Vida à Espera

Melhores Efeitos Especiais/Caracterização – Nuno Esteves “Blue” em Peregrinação

Melhor Série – Madre Paula

Melhor Direcção Artística – Wayne dos SantosSão Jorge

Melhor Som – Pedro Melo, Elsa Ferreira e Branko Neskov em Al Berto

Melhor Guarda Roupa – Sílvia Grabowski, Peregrinação

Melhor Maquilhagem e Cabelos – Rita Castro, Felipe MuironPeregrinação

Melhor Montagem – Cláudia Oliveira, Edgar Feldman e Luísa HomemA Fábrica de Nada

Prémio Sophia Estudante – Snooze, de Dinis Leal Machado (ESMAD)