Hostis, que tem como cenário o final do século XIX, conta a história de um capitão do exército americano (Christian Bale). Numa última missão antes de se reformar, Joseph aceita relutantemente escoltar Cheyenne (Wes Studi), um chefe de guerra moribundo, de regresso às suas terras tribais. Na perigosa travessia entre o Novo México e as planícies do Montana,  o grupo encontra uma jovem viúva (Rosamund Pike), cuja família foi assassinada. Juntos devem unir forças para sobreviverem a comanches hostis e a outros contratempos que vão encontrando pelo caminho.

Hostis é realizado e escrito por Scott Copper, responsável por Crazy Heart (2009) e Black Mass (2015). O argumento resulta numa história que parece não ter nada de novo para contar. Ao dissecar as divergências históricas entre as tribos nativas norte-americanas e o exército americano, Scott pretende levar o seu espectador a conhecer as duras realidades deste confronto.

Fonte: Distribuição/NOS Audiovisuais

Hostis é conduzido a uma ritmo lento – quase exaustivo em períodos – marcado por longos diálogos e intensas reflexões. A montagem é recorrentemente a maleita da película, o seu tom varia entre uma abordagem melodramática e o tédio das belíssimas planícies americanas. A narrativa, previsível desde o início, guia-nos para o inevitável paradoxo da mea culpa. Se o filme abre com os comanches, enquanto vilões, inevitável será que esta ideia se inverta a meio caminho. Não demora muito até que todos se declarem culpados.

O guião apalpa o seu terreno, oferecendo ao seu público a ideia de diversidade de perspectiva. O confronto entre as comunidades tribais americanas e a trupe de soldados é tanto visto de um lado como do outro. A sua grande valia é, no entanto, que o guião decide tomar uma posição: fica-se com Bale, que quer seja herói ou vilão tem um percurso para enfrentar.

Acompanhado por uma interessante fotografia, que enche o ecrã consecutivamente, Hostis tenta tocar nas feridas da história Norte-Americana. Christian Bale lidera o elenco (que conta até com a aparição de Timothée Chalamet), personificando um comandante preenchido por conflitos interiores. A sua passagem pelo ecrã é funcional, não ditando o tom da história, mas guiando-a de forma roteira. Rosamund Pike é, no sentido inverso, uma exacerbada afirmação dramática quase bipolar. A mãe de luto que sofre a perda da sua família que se torna quase instantaneamente numa corajosa guerreira. A maleabilidade da personagem de Pike é incomodativa, especialmente sabendo o público das intenções românticas, previsíveis desde início, para com a personagem de Bale.

Fonte: Distribuição/NOS Audiovisuais

Hostis é acompanhado por um estridente leque de efeitos sonoros. A banda-sonora, que funciona apenas para criar o tão desenhado efeito do épico, persegue melodias modernas, afastadas da historicidade da narrativa. Já a violência é esporádica, mas quase sempre anunciada pelo tom altivo dos diálogos. A brutalidade dos confrontos toca num gore, que se inclina mais para o choque do que para o excesso de grafismo.

Hostis é um bom trabalho visual, ainda que não o seja em termos da escrita. O seu entusiasmo é tanto relativo como o tédio é recorrente. Não existem aqui grandes histórias para contar, nem grandes perspectivas para contrapor. A história é edificada sobre uma ideia forte, mas a sua concretização, que põe em primeiro plano a viagem de Joseph e do líder comanche, não é novidade. O seu desenvolvimento nunca chega a mexer verdadeiramente no “elefante na sala”. Resta-nos então um copo meio cheio, que se instala num plano histórico, mas que não tem capacidade para o dissecar.

O resultado é inevitavelmente uma narrativa passageira, facilmente esquecida. Isto porque quando chega o momento de falar ou para sempre se calar, Hostis escolhe a segurança do lucro. E cala-se para sempre.

5/10

Título: Hostis
Realização:  Scott Cooper
Argumento: Scott Cooper
Elenco: Christian Bale, Rosamund Pike, Wes Studi, Timothée Chalamet
Género: Drama, Western
Duração: 127 minutos