Com apenas nove episódios, chegamos ao grande final da segunda temporada de American Crime Story, dedicada à vida e morte do famoso designer Versace – ou, por outro lado, às do seu assassino. O último episódio, intitulado Alone, estreou no canal FX no dia 21 de março. Em Portugal, a série é exibida na FOX.

Voltamos a pegar no ponto onde a série começou: Miami Beach, 1997, Gianni Versace (Édgar Ramírez) é assassinado a tiro por Andrew Cunanan (Darren Criss) à porta da sua mansão, o que o coloca como a quarta vítima deste criminoso e o coloca como ameaça nacional, perseguido por mais de 300 autoridades.

Ao mesmo tempo, somos prendados com algumas surpresas dos episódios anteriores, nomeadamente o aparecimento de Marilyn (Judith Light), a viúva que conhecemos no terceiro episódio, e de Ronnie (Max Greenfield), um dos amigos de Cunanan que conhecemos no início da série que está agora a ser interrogado pela polícia.

Cunanan decide refugir-se numa casa-barco abandonado durante dias a fio, praticamente sem comer e nem dormir, acompanhando as notícias da sua derrocada final, nomeadamente quando a sua mãe é colocada em custódia pela polícia e quando os amigos imploram que se entregue à polícia.

No meio do desespero, Andrew chega até a ligar ao seu pai, mas este, como sempre, deixa-o sem apoio. Ainda assim, o jovem parece não mostrar remorsos e assiste ao funeral de Gianni na televisão como se fosse o maior espetáculo que alguma vez viu.

Até este ponto, Andrew parece continuar com a filosofia de que o mais importante era deixar o seu nome escrito na pedra, não se apercebendo do rasto de destruição que deixou para trás: mulheres que ficaram viúvas, pais que perderam filhos.American Crime Story

Quando a polícia consegue finalmente cercar a casa e Andrew já não tem por onde fugir, decide suicidar-se com um tiro na cabeça. Do outro lado do planeta, em Itália, Antonio (Ricky Martin) é engolido pela mágoa e tenta igualmente suicidar-se em comprimidos, enquanto Donatella (Penélope Cruz) se despede do seu irmão no cemitério.

Embora a série tenha prometido um enredo focado em Versace e tenha fugido desde cedo desse mundo, o seu propósito foi claro e (bem) cumprido. Para além de oferecer um maravilhoso retrato ao mundo LGBT nos anos 90, dominado pela extravagância e pelas aparências, The Assassination of Gianni Versace abriu a cortina ao complexo de um assassino.

A última cena do episódio, de volta ao teatro onde Gianni e Andrew partilharam um momento, mostra claramente como este último nunca teve ninguém que acreditasse nele – pelo menos, não da forma que ele queria. Embora os seus atos não sejam justificados, Andrew foi um fruto da sua família distorcida e da sociedade desequilibrada que o rodeava – já para não falar que Criss ultrapassou quaisquer expetativas ao encarnar este papel.

NOTA: 9/10