Um dos mais famosos romances da literatura portuguesa chega esta semana ao grande ecrã. Falamos de Aparição, obra do escritor Vergílio Ferreira.

O filme surge pela mão do realizador Fernando Vendrell, conhecido por Fintar o Destino (1998) e O Gotejar da Luz (2002), num argumento adaptado por Fátima Ribeiro e João Milagre.

Recordemos a história de Aparição. Final dos anos 50. Um jovem escritor e professor, Alberto Soares, é colocado para dar aulas em Évora. Num meio rural e moralista, o jovem é acolhido por um médico e amigo do seu falecido pai, o Dr. Moura, deixando-se deslumbrar pelas suas três filhas: Ana, a mais velha e casada, é uma mulher inteligente, frontal e carente; já Sofia é sensual, provocadora e inconsequente. Finalmente, Cristina é a uma jovem inocente e inatingível.

Os protagonistas, que foram, em tempos, considerados jovens promessa, já se tornam atores consagrados da ficção e do cinema nacional, com vários trabalhos além fronteiras. Eles são Jaime Freitas (Amor Amor e Cigano) e Victória Guerra (Amor Impossível Wilde Wedding). Do elenco constam ainda nomes como Rui Morisson, Rita Martins, Dinis Gomes e Inês Trindade.

Aparição estreou no Fantasporto, onde ganhou o prémio de Melhor Filme Português.

As semelhanças com a realidade

A obra de Vergílio Ferreira aparenta ser autobiográfica, sendo o protagonista, Alberto Soares, considerado um alter-ego do escritor. Em Aparição, Vergílio Ferreira reflecte a relação do Homem consigo próprio, com a sociedade e com Deus.

O realizador, Fernando Vendrell, admite ao Sapo24 que o filme explora essa “coincidência muito estranha” de existirem “similitudes entre a ficção e a realidade na produção do romance“. A verdade é que, a par com o protagonista, também Vergílio Ferreira leccionou em Évora durante os anos 50. E foi nessa mesma altura que publicou Aparição enquanto a personagem escreve um livro de poemas.

O filme foi todo rodado no centro histórico de Évora o que, segundo Vendrell, irá permitir dar visibilidade nacional e internacional à cidade assim como “alertar para a preservação arquitetónica” de alguns dos espaços mais antigos de Évora.