O Dia Mundial da Poesia vai ser celebrado pelo Centro Cultural de Belém (CCB) no próximo dia 24 de março. A poetisa Natália Correia é a figura central desta celebração, com destaques para a sua vida e obra. A entrada é gratuita.

Nesta que será a sua ininterrupta décima primeira edição, a celebração do Dia Mundial da Poesia por parte do CCB, contará com poesia para todas as idades nos variados espaços do CCB através de diversas atividades desde as 15h às 19h, sendo a escritora Natália Correia a figura de destaque desta edição.

Logo à entrada do CCB é possível encontrar a Feira do Livro de Poesia, numa parceria entre o CCB e a livraria Bertrand. E como não se pode apreciar poesia de estômago vazio, também estará na recepção um Espaço Gastronómico dos Açores, onde será possível degustar e comprar chá, pão, levedo, licores, queijos e frutas características das ilhas dos Açores, região natural de Natália Correia.

Também a música marcará presença no pequeno auditório do CCB, através da voz do cantor Carlos Medeiros e dos dedos do guitarrista e produtor Pedro Lucas, ambos açorianos. O concerto conta ainda com a presença do teclista e compositor vimaranense Rui Souza. O concerto terá a duração de uma hora, das 16h30 às 17h30.

A sala Eugénio de Andrade, no piso um, será utilizada como um espaço aberto para leituras de poesia em voz alta, estando o público convidado a declamar os seus poemas preferidos, ou até poemas da sua própria autoria. Esta atividade irá ser gravada sendo que as filmagens serão posteriormente exibidas ao longo do dia num ecrã junto à Sala de Leitura.

O louvor a Natália Correia

Relativamente a Natália Correia, sete atividades serão alusivas poetisa e à exaltação da sua obras, tais como “Natália Correia, Deputada Parlamentar”, “Vida na Poesia e Poesia na Vida: Origens Açorianas de Natália Correia”, “1968-1974. Natália Correia Superstar?”, “A diversidade criativa”, “Natália Correia, a rebelde” e também “À conversa com amigos de Natália”, onde serão dados os testemunhos de Cruzeiro Seixas, Manuel Murteira, António Valdemar e António Victorino de Almeida.

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Será ainda tema de discussão o processo (julgamento) em que a escritora se viu envolvida devido à publicação de “A antologia da poesia erótica e satírica”, isto na época da ditadura. Na altura, há meio século, Natália Correia, o editor Fernando Ribeiro de Melo e os poetas Mário Cesariny de Vasconcelos, Luiz Pacheco, Ary dos Santos e E. M. de Melo e Castro foram condenados pela sua participação numa antologia que foi considerada um ultraje à moral pública. O processo que se estendeu de 1966 a junho de 1973, terminou os 38 exemplares apreendidos queimados.

Poesia de Alice Vieira diz “Presente”

Também Alice Vieira marcará presença, na sala Vianna da Motta, para celebrar a poesia, essencialmente a que consta no seu livro mais recente “Olha-me Como Quem Chove”. A obra parte de uma epígrafe que tem que ver com um poema de Ruy Belo, e no qual são abordados temas como o quotidiano de amores reencontrados e perdidos, recordações como sustentáculo da vida, da aprendizagem de novos lugares e novas sensações, das perdas que se enraízam na nossa pele e nos ajudam a sobreviver. Temas esses que, certamente, servirão de mote para a conversa com o jornalista Luís Caetano, durante a qual também teremos a oportunidade de escutar a autora a ler alguns dos seus poemas.

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