The Shining (Stanley Kubrick)

O lugar de destaque da música na sétima arte

Já alguma vez pararam para apreciar o som no meio da hipnose que é uma experiência cinematográfica? A verdade é que sempre que vemos um filme (ou uma série) geralmente o som passa despercebido. Experimentem ver o vosso filme preferido sem a banda sonora: não há algo que está em falta? Neste artigo vamos explorar a pertinência do som no grande ecrã. 

A quarta dimensão do cinema – a banda sonora

Quão fascinante é uma banda sonora que nos preenche da cabeça aos pés quando nos encontramos perante esta aglomeração de sentidos? A imagem, sozinha e independente, nunca faria tanto sentido sem o complemento do som. Aliás, a música aparece como uma personagem não-tridimensional nos filmes que, sem ela, o sentido de uma cena poderia ser alterado completamente.

Este artigo não tem como objetivo exaltar uma peça musical ou um compositor em específico. O objetivo é antes explorar o fenómeno da música no cinema e o impacto emocional que tem sobre nós.

Perdoem-me o cliché, mas não há cena no cinema mais icónica para ilustrar aquilo que tento aqui expor: a famosa cena do chuveiro no Psycho nunca (e sublinho isto) teria a relevância que tem na história do cinema se a música não existisse. É o maior complemento para o suspense visual e para os gritos dramáticos espalhados pela ação.

A música no cinema é o guião transparente que nos assalta as entranhas e nos transporta para a dimensão desejada

Tudo isto funciona em rede. Reparamos que há uma reação física à emoção e nem pensamos na dissociação entre som e imagem. A dualidade presente dentro do ecrã é trespassada pelo som que torna tudo aquilo real ou, pelo menos, mostra que pode ser real.

A música no cinema é o guião transparente que nos assalta as entranhas e nos transporta para a dimensão desejada. É ela que impõe a atmosfera e que faz acelerar ou abrandar a nossa própria respiração.

Quem nunca ouviu a musiquinha do Jaws sem sentir aquele arrepiozinho na espinha que atire a primeira pedra. Quem nunca sentiu o dark side” da Força a chamar por nós enquanto a Imperial March toca que se acuse. Vá, até o incorpóreo e inextinguível tema do The Good, the Bad and the Ugly aqui se aplica.

E se repentinamente toda a música fosse eliminada do cinema?

Mais recentemente, vários soundtracks fizeram-me deliberar sobre a ausência de uma composição musical. Quando toda a ação está no seu auge e a música engrandece, a abrupta interrupção sonora agarra-nos ao ecrã. O silêncio. A intrometida ausência de ação sonora ocupa, quando bem aplicada, o lugar de destaque num filme. Os efeitos secundários deste silêncio falam mais alto do que muita claustrofobia musical.

A música, no grande ecrã, tem um curto e crucial espaço a preencher. Quem se aventura pela composição movimenta-se de uma forma semi-divina para aproveitar a simbiose entre o aspeto sonoro e o visual.

Gerimos as nossas vidas através de música muito específica que representa as nossas idiossincrasias. Os filmes são o universo paralelo das nossas vidas. A banda sonora é o que ressoa depois dos créditos, é o som da nossa catarse.

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