O Espalha-Factos esteve no Lisboa Dance Festival, que teve lugar no HUB Criativo do Beato, e que contou com nomes conhecidos como NAO, Nosaj Thing e Romare, mas também ainda com alguns talentos recém-revelados, como António Bastos. 

Na quinta-feira, dia 7 de março, lia-se no Diário de Notícias:

“O mau tempo já tem nome: Felix traz vento forte e grande agitação marítima”

O alerta do Instituto Português do Mar e da Atmosfera era amarelo para Lisboa no fim-de-semana do Lisboa Dance Festival. Vento forte e chuva eram os presságios prometidos. Eis o que o festival nos deu além disso.

Dia 9

Sexta-feira, o primeiro dia de festival, começa com Rastronaut no BEATO Stage @Celeiros. Numa sala que era o único sítio do recinto com mesas e bancos para os espectadores se sentarem, abrigados, a falar, comer e beber, Rastronaut fez-se ouvir essencialmente como música de fundo para um descanso pré-festival. Com pouca gente ainda no recinto, viram-se algumas pessoas já a inaugurar a pista de dança, que depois se transferiu um pouco por todos os outros palcos do festival.

DJ Glue abre então a @Fábrica do Pão, a sala maior do festival. Para um público ainda tímido e contido, passa o seu repertório marcado pela relação estreita que faz entre o hip-hop e a eletrónica. DJ Glue consegue desinibir então o reduzido público, que começa a aquecer o chão da Fábrica do Pão.

Na @Pastelaria, GPU Panic toca num palco com decoração tropical para pouca gente. Beats simples mas fortes que formam um som etéreo, ainda que marcado pelos baixos gritantes e compassados. Cria um soundtrack ideal para os espectadores viajarem enquanto ouvem. Ao mesmo tempo, DJ Marfox prova-nos que a sala @Grillas consegue encher e dançar bastante, mesmo a poucas horas do festival ter começado.

NAO

Obrigatoriamente de destacar está NAO, uma das cabeças de cartaz do dia do festival. O concerto começa às 22h30 na @Fábrica do Pão. A vastos minutos do começo do concerto já se encontrava bem composta uma audiência expectante por aquele que seria apenas o segundo concerto da artista em Portugal.

A estreia da artista foi no Vodafone Mexefest em 2016, com um espetáculo que deixou o público português a ansiar por um regresso. NAO, logo a seguir a abrir o concerto com o já bem conhecido tema Happy, que arrebitou logo todos os corações, apresenta-se com um pedido de desculpas por não ter voltado mais cedo.

O momento alto musicalmente da atuação foi In The Morning. A destacar também estão a Girlfriend, seguida por We Don’t Give A, duas canções que puseram a mexer muito o público, provando repetidamente a componente dançável do festival. Fool to Love e Bad Blood, tocada apenas no encore, foram também momentos óbvios de maior relação com os espectadores, que cantaram as suas letras e dançaram até aos últimos sons do concerto.

A artista londrina (re)apresentou aos portugueses o wonky funk, descrito pela própria, do seu álbum de estreia For All We Know. Com um primeiro concerto com uma qualidade difícil de superar, NAO conseguiu ultrapassar as expectativas do público com um espetáculo rico e completo, como só ela nos podia dar.

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Deu ainda para ver Romare, um dos cabeças-de-cartaz do primeiro dia de festival. Um dos concertos mais aguardados do festival correspondeu às expectativas do público. O produtor apresentou-se em formato de banda, o que tornou as coisas mais interessantes durante o concerto, tocando o seu repertório já conhecido pelos portugueses.

O jovem produtor londrino é um dos nomes a ter em atenção no mundo da música eletrónica, tendo sido um dos nomes mais falados durante o decorrer deste ano. O músico perito em samples até usou uma do gravador da sua avó e do bandolim do seu pai e ligou os pontos entre géneros como o blues ou o jazz às suas raízes da música africana.

O primeiro dia de festival deu ainda tempo para, entre as 2h e as 4h, saltitar por entre nomes como Monoloc, Leon Vynehall ou Xinobi, que encerram a noite como ela merecia: a fazer dançar.

Dia 10

O segundo e último dia de Lisboa Dance Festival começa cedo e algo despovoado, às 16h apenas. O primeiro concerto que vemos é Paraguaii, só às 18h. A banda perde pela acústica da sala onde é inserida, @Fábrica das Massas, onde demais já se tinha notado a falha no dia anterior. O som perdia-se ao vibrar pelas portas de metal industrial, e a disposição do palco não ajudava. Ouviu-se o potencial sonoro que já sabemos poder esperar de Paraguaii, mas o espaço impossibilitou a concretização do mesmo.

António Bastos, um dos nomes mais destacáveis dos espetáculos todos da edição do festival, aparece na @Pastelaria, armado com o iPad.

Traz consigo mais dois músicos, uma guitarra e um saxofone e, em grupo, meteram a dançar sem vergonha todas as pessoas da sala. Foi esse, sim, o concerto de abertura que o último dia do festival pedia.

 

Mirror People chegou a pedir para se aumentar o volume para não correr o risco do som não chegar a alguém. Ajuda assim a aquecer os corpos para o concerto do headliner que se seguia.

Nosaj Thing

O concerto de Nosaj Thing, uma das apostas do público em geral para o dia, supriu as necessidades dos espectadores. Inunda-os numa escuridão imensa atravessada rispidamente por luzes lasers que se envolviam a elas e ao público na atmosfera do espectáculo. Foi um concerto com um ambiente muito contínuo e sem muitas oscilações, seguindo apenas a música. Um dos momentos altos do concerto foi a última música do set, uma música de Frank Ocean.
A acabar a noite de festival e já em jeito de despedida estiveram Truncate e Steffi, na @Pastelaria e @Grillas, respetivamente, terminando o festival como foi passado: a dançar sem parar.

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 O Lisboa Dance Festival realizou-se no HUB Criativo do Beato, tendo a edição passada sido realizada no Lx Factory. O novo espaço serviu o seu propósito à excepção da acústica em certos momentos e salas, e também da tempestade. Vento forte e chuva eram os presságios prometidos. O que é que o Lisboa Dance Festival nos deu além disso? Nada além do óbvio: festa, música e muita dança.