Dead Magic é o quarto álbum de  Anna von Hausswolf, cantora e pianista sueca. Ao longo da sua discografia, o órgão é o instrumento que melhor sublinha a personalidade artística de Anna. Porém, é em Dead Magic que o seu esforço criativo encontra o trono que ambicionava ocupar.

Gravado ao longo de nove dias numa igreja em Copenhaga e constituído meramente por cinco músicas, Dead Magic simpatiza com as trevas e não pretende fazê-lo sozinho: agarra o seu ouvinte pelo pulso e leva-o pelos caminhos que bem entender percorrer.

A calma antes da tempestade

The Truth, The Glow, The Fall inicia a aventura de 47 minutos com um convite. Não se entrega por completo de imediato. Procura, em primeiro lugar, estabelecer um ambiente. De um modo angelical, Anna entrega a sua voz a um órgão tímido. O rumo da faixa é alterado a meio e brilha a capacidade da songwriter sueca em criar momentos épicos, guiando-nos ao longo do seu processo criativo. É sentida, no entanto, franca fraqueza na sua voz.

 Anna já tem experiência naquilo que pretende fazer e, acima de tudo, tem noção de como o quer fazer. Ela protagoniza um papel de narradora sábia da sua mente de uma forma extraordinariamente natural.

Após o auge introdutório, The Mysterious Vanishing of Electra surge como se fosse a banda sonora de um ritual, tendo uma guitarra como a sua força mais impulsionadora. Pouco depois, a nossa guia regressa e lamenta-se, cantando “My love is not enough to save me“. A tensão deste ritual aumenta gradualmente e é acompanhado pelos berros de Anna até ser atingido um clímax.

Posteriormente, o monstro cuja estadia durará 16 minutos, Ugly and Vengeful, acorda. Instala-se lentamente um suspense que aguarda as ordens da narradora das trevas. A utilização de percussão tem como principal objetivo reforçar o sentido de urgência do que está a acontecer e é como se assumisse a pulsação cardíaca da criatura subjacente ao caos controlado a ser apresentado. Com um engenho fenomenal, a voz de Anna isola-se por momentos e é exclusivamente acompanhada pela bateria. Cada instrumento retoma, de seguida, o seu lugar.

A luz ao fundo do túnel

É importante salientar o mérito que há em conseguir, só com três músicas, esboçar um mundo como Anna von Hausswolff o faz. As comparações que podem ser estabelecidas com a sua música são diversas, desde a estrutura musical dos últimos três álbuns de Swans até à possível semelhança de carisma de Joanna Newsom.

Contudo, nas duas últimas etapas de Dead Magic, as comparações são abatidas. Contrastando com a fúria caótica até agora presente, The Marble Eye e Källans återuppståndelse apaziguam o ouvinte. Revelam uma espécie de esperança embrenhada numa luz. Anna ocupa um lugar central nela e recebe-nos de braços abertos.

Foto: annavonhausswolffmusic.bandcamp.com

Foto: annavonhausswolffmusic.bandcamp.com

Em Dead Magic, tudo parece conviver em harmonia. Os momentos mais frenéticos e sombrios abraçam os mais sossegados e iluminados. É a facilidade de Anna von Hausswolff em captar a beleza de ambos os extremos que torna este álbum cativante e impressionante. A magia, quer esteja morta quer não, encontra-se aqui.

Pontuação final: 9.5/10