Com origem no vídeo-jogo de mesmo nome, Tomb Raider conta a história de Lara Croft. A jovem, de 21 anos, é filha de um aventureiro desaparecido há sete anos e trabalha como estafeta nas ruas de Londres, recusando assumir as rédeas do império global do seu pai. Quando descobre um divisão secreta na mansão da sua família, Croft embarca numa viagem até ao último paradeiro conhecido do seu progenitor. A sua procura irá levá-la a uma enigmática ilha na costa do Japão.

A película é realizada por Roar Uthaug (The Wave, de 2015) e tem o guião a cargo de Geneva Roberston-Dworet e Alastair Siddons. A carismática aventureira Lara é interpretada por Alicia Vikander, contando ainda com Dominic WestWolton Goggins nos pápeis secundários.

Tomb Raider surge 15 anos após o lançamento do último filme estrelado por Angelina Jolie. O reboot é, resumidamente, um barulhento e desinteressante regresso ao mundo de Croft. Vikander é competente no papel de Lara, sendo certamente um passo em frente face àquele interpretado por Jolie.  A sobriedade é notória e Alicia surge menos como símbolo guerreiro feminino, mas mais como parte do seu mundo. No entanto, além da personagem principal todas as outras personagens oferecem pouco ou nenhum desdobramento para além de um olhar bidimensional.

Fonte: NOS Audiovisuais

Aqueles que procuram aqui um agitado e emocionante filme de ação encontraram um tom bem mais resfriado. Lara inflige mais danos a si própria, entre quedas de cascatas e atropelamentos, que qualquer um dos “vilões”. O CGI é chamado para colmatar a falta de espectacularidade, essa que nunca chega.

O guião é plastificado do início ao fim, sendo fácil adivinhar qual a fala ou manobra ultra-arriscada que se possa seguir. As personagens não têm qualquer desenvolvimento dramático, existindo repetidamente ideias argumentativas inacabadas dentro da narrativa. Lara reencontra o seu pai, mas apenas produz aquilo que é a cena mais fria e distante da película. Richard, por sua vez, parece mentalmente fragilizado ao reencontrar a sua filha, devido ao anos de solidão – aspecto que se evapora da narrativa quase instantaneamente. O feito é ainda repetido quando Lara mata pela primeira vez um dos seus adversários e sofre um choque emocional: no dia seguinte já o faz com naturalidade.

Fonte: NOS Audiovisuais

A musa que não chega para inspirar

Tomb Raider é um espectáculo de ação inócuo. A configuração das cenas mais dinâmicas do filme são desprovidas de qualquer originalidade. A montagem parece fugir sistematicamente aos conceitos de espaço e tempo. Muitos são os tiros e gritos desorientados, bem como personagens que demoram dez minutos a percorrer 10 metros. O tom dramático é constantemente sublinhado por uma banda-sonora épica e exaustiva e pelos efeitos sonoros, que absorvem qualquer som de balas a trovões. A mistura resulta numa confusa experiência, repleta de momentos pilhados de irritações. O som tenta ser estridente, ajudando forçosamente a ofuscar as imagens que acompanha.

No panorama dos filmes de ação, Tomb Raider não oferece nada de novo, exceptuando o começo de mais uma saga. A viagem nunca chega a ser verdadeiramente aventureira, o “inimigo” a derrotar nunca faz grande oposição e nunca se encontra um grande mistério para desvendar. A passagem pela ilha japonesa é pouco inovadora e não consegue arriscar o suficiente para prender a atenção do seu público. Vikander esforça-se por oferecer um tom mais sério à película, mas o seu esforço é em vão. No assalto a este túmulo nada é novo ou trabalhado. O que se encontra lá dentro é desinteressante o suficiente para achar que talvez a viagem não tenha valido a espera.

4/10

Título: Tomb Raider
Realização: Roar Uthaug
Argumento: Geneva Roberston-Dworet e Alastair Siddons
Elenco: Alicia Vikander, Dominic West, Walton Goggins e Daniel Wu
Género: Acção e Aventura
Duração: 118 minutos