As notícias foram recebidas com efusão cibernética: Kaytranada, produtor haitiano-canadiano, estrear-se-ia em Portugal. A imprevisível aparição marcava-se para 25 de abril, no Porto, no Passeio das Virtudes. Mas o êxtase demorou pouco: a marca responsável pelo concerto afirmou tratar-se de um falso alarme. A que se deveu a confusão?

A apresentação do músico integraria o alinhamento do próximo Baile Maracujália. A festa, de entrada gratuita, é organizada pela Oiôba, loja de roupa instalada na Invicta. Foi realizada pela última vez a 30 de setembro de 2017; os cartazes têm sido seleções estritamente nacionais, com nomes vocacionados para a eletrónica.

Com a nova edição, o Baile tinha em mãos um afamado colaborador de Kendrick Lamar, Azealia Banks ou BadBadNotGood. O desvio era intrigante, mas assegurado pelo patrocínio do Spotify. As reações não tardaram a chegar, nas redes sociais, confirmando o desejo de ver o produtor em solo lusitano.

A muito antecipada estreia de Kaytranada foi noticiada pelo Rimas e Batidas, site centrado no hip-hop e na eletrónica. Contudo, a publicação já desmentiu o anúncio, tendo contactado Pedro Sousa, fundador da Oiôba:

O evento do Kaytranada é fake (para já). A nossa ideia é lançar uma campanha de crowdfunding, “gostaram do nosso sonho? Vamos realizá-lo? Crowdfunding”.

De acordo com o representante, o evento era tentativo, procurando mobilizar a angariação de fundos para a sua realização. “Vamos lançar uma lista de 20 possíveis artistas e garantimos no mínimo 3 eventos gratuitos“, avançou. “Caso não seja adquirido o valor para o Kaytranada, vamos descendo pela lista apresentada.”

Ou seja: tratava-se de uma hipótese nunca confirmada, sem veracidade, lançada pela marca. O Espalha-Factos tentou contactar a Oiôba para esclarecimentos adicionais, sem resposta à hora de publicação.

A tender para 100%

Nascido no Haiti, tendo emigrado para o Canadá, Louis Kevin Celestin iniciou-se como artista em 2010 e em 2012 lançou-se como Kaytranada. Impulsionou-se com uma remistura de If, de Janet Jackson; seguiu-se uma lista profícua de EPs, remisturas e colaborações.

Cristalizou o seu nome no seu primeiro disco 99.9%. Editado em 2016, foi criticamente aclamado e venceu o Polaris Music Prize. O último projeto a solo foi 0.01%, uma mixtape com faixas descartadas do álbum de estreia.

Originalmente, a digressão em torno de 99.9% passava por Lisboa, no espaço Village Underground. Todavia, o concerto de Kaytranada, marcado para 17 de junho de 2016, foi cancelado. Já soaram dois falsos alarmes: à terceira será de vez?

Atualização: Em resposta, a Oiôba revela, acerca do evento, que os “detalhes era[m] totalmente fabricados“. A empresa afirma ter estabelecido contacto com Kaytranada, mas que “vai ser quase impossível trazer” o artista. Quanto à campanha de crowdfunding, destinada a “dar pujança para trazer artistas maiores“,  começará a 20 de março e terminará a 25 de abril, data em que não haverá Baile Maracujália; o próximo está agendado para 19 de maio.