Esta sexta (9) e sábado (10), o Lisboa Dance Festival propõe-se demonstrar os nomes emergentes e as correntes novas da música eletrónica. É uma missão que decorre há três anos; este ano, com a conhecida mudança de espaço para o Hub Criativo Beato. O Espalha-Factos faz uma breve antevisão do festival, trazendo os destaques de um cartaz que é repartido por cinco palcos. Começamos com a seleção da primeira noite.

NAO

Diferenciada e arrebatadora, com a docilidade do R&B como pedra basilar, reside nas mãos de NAO magia substancial. (Mãos essas que surgem nas capas dos EPs com que se estreou: So Good e February 15.) É sua grande parte da alquimia com que manipula ritmos e melodias, como em Bad Blood ou Girlfriend, mas a subversão não é o propósito da sua obra.

Mais do que a estética, as texturas ou a aventura, embora constantes, aquilo que a música de NAO veicula é um sentido irrefutável de esperança. “I really wanna show your smile to the world“: as letras são contagiantes, vertidas em paisagens sonoras que fundem o espírito dos anos 90 com a panóplia corrente de sons.

São essas as bases de For All We Know, o disco que a levou em tournée pelo mundo e levou o seu nome de vento em popa. Mas absolutamente nada se faria sem o instrumento máximo que é a voz de NAO. É puro mel a escorrer sensualidade, a trazer luminosidade a onde quer que se faça ouvir.

Foi em novembro de 2016 que a londrina agraciou, pela primeira vez, os palcos portugueses. O concerto de estreia fez-se no Coliseu dos Recreios, a sala maior do Vodafone Mexefest. NAO conquistou milhares de corações no público com a sua proposta de “wonky funk“.

Retorna ao Lisboa Dance Festival como cabeça-de-cartaz, na iminência de um novo projeto. Encontra-se a gravar um novo disco e presenteou-nos recentemente com um single separado, Nostalgia.

Pela intempérie da idade adulta, pelo desespero romântico, pelas conflitualidades da vida: há que dançar. | 22h30, KIA Room @ Fábrica do Pão

Romare

Verbalizar música já é difícil, limitar o ato a uma só única palavra é só redutor. Mas a colagem é o melhor análogo da música de Romare, um autêntico crisol de ritmos e variedade estilística.

Nascido em 1985, o britânico faz música que recupera artefactos sonoros e culturais de África, transfigurando qualquer sample numa força motriz, num centro autêntico de devoção. A música é um compósito fascinante de eletrónica e influências de jazz ou footwork. Um som que tanto remonta à tribo milenar como à urbe.

Um primeiro contacto pode descurar a mestria por detrás das pesadas texturas sonoras ou da dançabilidade manifesta. É necessário revisitar a obra de Romare para que a densa rede de samples vocais, sintetizadores pulsáteis e percussão certeira, enleada a partir de África enquanto epicentro mundial, se torne tangível. Mediante essa condição, dançar ao som de Romare é algo tão imersivo e espiritual, como tátil e corpóreo. | 23h45, KIA Room @ Fábrica do Pão

DJ Marfox

Um vulto da Lisboa underground, Marlon Silva ou DJ Marfox dispara ritmos de alta magnitude, que tanto fervilham, como atraem com o seu toque magnético. A batucada ou batida, género que convencionou, vem em vários sabores, numa infusão irresistível que o conduziu ao reconhecimento internacional.

Os seus ingredientes? Os ritmos africanos do kuduro, a intensidade do techno e da house, uma visão cosmopolita do panorama musical. O procedimento? Moldá-los numa confeção de ouvir, dançar e chorar por mais.

Em 2016, com o selo da mítica Príncipe, Chapa Quente granjeou títulos prestigiantes da Fact, Mixmag ou XLR8R. Mas o feito máximo vem da incapacidade nata de deixar alguém parado na pista de dança. Não estão convencidos? Experimentem hoje à noite. | 21h00, Carlsberg Room @ Fábrica das Massas

Um hub estelar

A noite é pontuada com muito mais artistas de destaque assegurado. Na KIA Room, haverá ainda atuações dos portugueses DJ Glue e Xinobi; nomes como Octave One, Optimo, Leon Vynehall ou Monoloc espalham-se pelas restantes salas. As portas abrem às 17h00; sigam os horários disponíveis neste link.