O Dia Internacional da Mulher continua a fazer sentido até que exista, de facto, igualdade de géneros. Por isso, o Espalha-Factos relembra várias personalidades femininas que, não só marcam esta data, como continuam a ser um exemplo para todas as mulheres.

Nos livros, Hermione Granger é uma personagem mítica para muitos. O seu poder não tem igual e, passados 20 anos do lançamento de Harry Potter e a Pedra Filosofal, a menina com voz autoritária e longos cabelos castanhos e encaracolados continua a ser uma inspiração. Mas vejamos porque é que a sua história de amor continua a despertar tantos comentários dos fãs. 

Se também segues tudo sobre a saga Harry Potter sabes que já muito se falou sobre quem seria o par perfeito para Hermione Granger. Não é segredo que a feiticeira deveria ter acabado com Harry, até mesmo J.K. Rowling concorda e já o afirmou.

Porém, a autora estava totalmente enganada sobre a grande feiticeira e o trapalhão mais ruivo de Hogwarts. Ron Weasley e Hermione Granger são almas gémeas.

Hermione

Foto: Flickr

Contudo, o que realmente importa é perceber por que razão este tema faz derramar tanta tinta. Porque é que passados 11 anos continuamos a comentar a história de Hermione e com quem ela devia terminar?

Hermione é vista como um ícone feminista desde o início, tal como a própria actriz que a interpreta. Emma Watson é uma das caras do movimento HeForShe, estando também associada a outros projectos com vista ao empoderamento da mulher.

Apesar de ser mudblood, como muitas vezes o malvado Malfoy lhe chamava, Hermione era a bruxa mais brilhante da sua idade. Ela era incrivelmente inteligente, sempre com a resposta certa na ponta da língua e sem nunca ter medo que todos à sua volta soubessem disso. Não obstante, Hermione usava também a sua varinha com tanta habilidade e poder como Harry ou qualquer outro feiticeiro poderoso de Hogwarts.

Hermione

Fonte: Giphy

Assumindo causas ativistas com muita garra, Hermione não só teve a magnífica ideia do S.P.E.W. (Society for the Promotion of Elfish Welfare) para proteger os direitos dos elfos – apesar de ter falhado -, como também participou no Exército de Dumbledore, ajudando a mudar toda a trajetória da Segunda Guerra Mágica.

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Porquê tanto burburinho?

Então, depois de percebermos tudo o que Hermione Granger conseguiu fazer e de vermos o quão inteligente e forte ela é, porque é que continuamos tão obcecados com quem ela deveria ou não deveria ter casado?

Porque é que nós, como mulheres e homens da era moderna, ainda achamos que as mulheres precisam de relacionamentos românticos, de casar e ter filhos para serem completamente bem-sucedidas e se sentirem realizadas?

Claro que qualquer história, seja ela de acção, mistério, ficção, romance, pode ter momentos românticos, casais que acrescentam conteúdo à trama. No entanto, quando reduzimos a Hermione a um relacionamento amoroso, ignoramos todos os feitos que realmente a tornam uma dos personagens mais especiais, apaixonantes e memoráveis da história literária.

Na verdade, uma das razões pelas quais o final de Hermione na saga foi, de certo modo, tão frustrante passa pelo facto da personagem ter seguido um caminho tão convencional como o casamento, a família e os filhos em primeiro lugar. Obviamente que não é necessário uma mulher ficar solteira e não ser mãe para que se realize, para que tenha um objetivo de vida interessante, um trabalho importante ou lutar pelos reais interesses da mulher.

Hermione

Foto: Pottermore

Contudo, parece que as personagens femininas, no final das histórias, têm sempre de terminar ao lado de alguém, de um ombro mais forte. Como se a vida de uma mulher dependesse sempre de uma outra pessoa, como se não conseguíssemos amar-nos sozinhas ou, pior, como se ser do sexo feminino fosse impeditivo de ter tantas ou mais capacidades, físicas e/ou intelectuais, para concretizar os objectivos a que nos propusemos.

Ter ficado com o Ron é algo bom e engraçado, ninguém diz o contrário. Porém, é importante perceber que a Hermione é mais para além disso, a feiticeira consegue e iria sempre conseguir, mesmo que não namorasse com o Rony, lutar sozinha e ter uma carreira como ela própria traçou. Por isso, seria interessante que a personagem seguisse um rumo diferente, onde fizesse do ativismo e da sua carreira a sua principal prioridade, viajando pelo mundo mágico em busca da igualdade para todos.

Mesmo que possamos ver Hermione assumir uma posição de liderança no governo, em Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, a forma como é retratada ao longo da saga mostra o quão dececionante são os “pré-conceitos” do ser-humano. Ora, a verdade é que o relacionamento da personagem com o melhor amigo de Harry foi escrito como a parte que mais definiu a trajetória de Hermione.

Vejamos: a trama implicava que, se a feiticeira não tivesse casado, a mesma teria terminado como uma “solteirona” amarga, que desistiu de todos os seus sonhos e se tornou um monstro. O verdadeiro cliché, portanto!

O facto da brilhante feiticeira precisar de um relacionamento para tornar a sua vida feliz, tendo em conta a sua forte personalidade, quase que nos faz rir. A sério que querem que pensemos que uma vida a dois ou com uma família é a única forma da feiticeira ou qualquer outra mulher ter alegria na sua vida?

Por onde quer que o caminho de Hermione a tenha levado, independentemente do que ela decidiu, esta é a altura para a olharmos de forma distinta. É a hora de começarmos a olhar para Hermione Granger como uma mulher, com tudo o que isso implica, ou seja, perceber os motivos verdadeiros pelos quais a adoramos: a sua inteligência, determinação, força, a sua lealdade, também a sua gentileza claro mas, sem dúvida, pela sua independência (tenha ela ou não alguém do seu lado).

Feliz Dia Internacional da Mulher, Hermione!

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