Quando uma música chega aos nossos ouvidos, estamos longe de imaginar todo o trabalho que houve até aquele resultado final. Uma das peças essenciais no desenvolvimento de um álbum ou de uma canção são os produtores. Acompanham todo o processo, desde o conceito até ao resultado final. Desdobram-se em tarefas para assegurar que o que chega ao público é o desejado.

Se os profissionais do género masculino têm visto o seu trabalho reconhecido desde o início da indústria musical, nem sempre às suas colegas femininas é dado o mesmo valor. Hoje, Dia de Mulher, o Espalha-Factos destaca as Produtoras que põem a sua alma nas canções e partilham o mérito com a sua equipa. Algumas, pegam no seu esforço e apresentam-no elas próprias ao mundo, como cantoras. Outras preferem ficar nos bastidores e entregar os seus frutos aos intérpretes com os quais colaboram.

Sylvia Robinson

Nasceu nos EUA, em 1935. No final dos anos 70, ajudou a fundar a editora de música hip hop, Sugar Hill Records. É também conhecida por ter produzido dois dos mais importantes singles do género. Em 1979, produziu o sucesso dos Sugarhill Gang, Rappers Delight. O primeiro hit comercial de música rap, que vendeu mais de 8 milhões de cópias e que inspirou muitos dos músicos que se seguiram. Três anos depois, em 1982, produziu The Message, música dos Grandmaster Flash and the Furious Five. Atribuem-lhe, por isso, o epíteto de ‘Mãe do Hip Hop’. Faleceu em 2011, aos 76 anos. – AN

Linda Perry

A artista começou por ser a principal vocalista da banda rock de São Francisco, 4 Non Blondes, cujo principal sucesso é a música What’s Up?, de 1993. O grupo viria a desintegrar-se e, aí, Linda Perry arriscou uma carreira a solo, fundando a sua própria editora, a Rockstar Records. Em 2001, produz o álbum vencedor de um Grammy, Stripped, de Christina Aguilera, e o single de sucesso do segundo álbum de estúdio de Pink, Get the Party Started. A estas duas colaborações juntam-se produções com Britney Spears, Courtney Love, Adele, Alicia Keys e James Blunt. – AN

Grimes

Claire Elise Boucher, compositora e produtora canadiana mais conhecida por Grimes, iniciou a sua carreira em 2010. Desde então produziu quatro álbuns de estúdio. Entre estes, destacam-se Visions, editado em 2012, e o trabalho mais recente, Art Angels, lançado em 2015. Em 2013, Visions foi incluído na lista da NME dos ‘500 Melhores Álbuns de Sempre’ e recebeu o Prémio Juno para Melhor Álbum Eletrónico do Ano. Com o LP Art Angels, a artista voltou a estar nomeada para os Prémios Juno e alcançou nos EUA o primeiro lugar no top de álbuns alternativos da Billboard. Em 2013, Grimes assinou contrato com a editora de Jay-Z, a Roc Nation. – AN
grimes

Lauren Christy

Começou por ser artista com apenas 19 anos. Em 1994, chegou a receber um American Music Award de Best New Artist e um Golden Globe com a canção The Color of the Night. Cinco anos depois, deixaria a sua carreira de parte para se dedicar à produção. Juntamente com mais dois colegas, fundou a equipa de produção The Matrix. Em 2001, o trio de produtores foi também uma peça fundamental na estreia discográfica de Avril Lavigne. Lauren Christy trabalhou também com David Bowie, Shakira, Jason Mraz, Korn, Rihanna, entre outros. – JP

Trina Shoemaker

Envolvida na área de engenharia de som desde 1992, a notoriedade chegou-lhe quando colaborou com a cantora Sheryl Crow. Trina Shoemaker produziu o álbum de estreia da cantora norte-americana, Tuesday Night Music Club, em 1995. Três anos depois, a produtora tornou-se na primeira mulher a vencer um Grammy na categoria ‘Best Engineered Album‘ pelo disco The Globe Sessions, o terceiro álbum de Crow. – JP

Björk

Tendo “apenas” produzido, ou co-produzido, todos os álbuns da sua discografia a solo, a cantora, produtora e compositora islandesa é uma das maiores defensoras de que se dê maior peso às mulheres na área da produção. Considerada, em 2015, uma das pessoas mais influentes do mundo, Björk mostrou que as mulheres tinham ideias originais na música e que conseguiam pô-las em prática, quando em 2001, produziu, durante três anos, todos os microbeats meticulosos e peculiares que o disco Vespertine exigia. A artista de Hyperballad é também conhecida por lançar outras produtoras femininas, como Leila Arab, que tem o seu nome inscrito nos créditos de álbuns que pertencem a editoras de renome, dando-se o exemplo da XL Recordings e a Warp. – BdM
Björk

Santigold

Com uma mente criativa, original e, sobretudo, única, Santi White, ainda que tenha só três álbuns a solo, é um dos ícones mais prestigiados por quem faz música, tendo colaborado com grupos e artistas como Major Lazer, Mark Ronson e A$AP Rocky. A artista de Philadelphia, com uma mão cheia de discos produzidos, já escreveu canções para artistas que se distinguem bastante das sonoridades de Disparate Youth. Numa review feita pela Mojo ao seu último álbum, 99¢, lê-se uma frase que caracteriza a alma de Santigold “raios de Sol e subversão”. – BdM

Escolhas de André Nóbrega, Bernardo de Melo e João Pardal