Em modo de aquecimento para a 18ª edição da MONSTRA Festival de Animação de Lisboa, foi ontem exibido no Cinema São Jorge o filme A Idade da Pedra.  Este é o mais recente projeto de Nick Park, vencedor de 4 Óscares da Academia e responsável por filmes como A Fuga das GalinhasWallace & Gromit: A Maldição do Coelho Homem e A Ovelha Choné.

Nesta nova aventura de animação, Park conta a história de Doug. Este homem das cavernas é o improvável herói de uma comédia de animação pré-histórica. Quando a sua tribo – a única sobrevivente desde a extinção dos dinossauros – se vê ameaçada pelo Homem da Idade de Bronze, a solução é jogar em equipa. Para tentar manter o seu lar intacto, Doug desafia a equipa campeã de futebol para uma final que provará o valor dos últimos Homens das Cavernas.

A versão original conta com vozes de Tom Hiddleston, Eddie Redmayne, Maisie Williams e Timothy Spall. A versão portuguesa alinha a dobragem de Mariana Cabral/Bumba na Fofinha, José Pedro Vasconcelos, David Fonseca e Eduardo Madeira.

A colaboração já frequente entre Park e Mark Burton resulta, mais uma vez, numa prova de humor despretensioso. Considerada a maior produção alguma vez montada pela Aardman, A Idade da Pedra não é um revolução no cinema de animação, nem no cinema de Park. No entanto, há uma história digna de muitas gargalhadas e um leque de personagens que não desilude. A tribo, que não é repleta de figuras memoráveis ou particularmente queridas ao público, é encantadora o suficiente para cumprir a sua função.

© 2018 Studiocanal S.A.S. and The British Film Institute

Num tom distinto das películas de animação contemporâneas de grande produtoras, Doug não é um mestre das palavras. O humor de A Idade da Pedra é à medida do seu realizador, que se apoia na comédia visual. As punch lines não são artigo que se use, o texto é virado para os mais novos, mas a conversa é sempre “adulta” e cuidada.  O texto nem sempre é hilariante, mas acompanha eficientemente as imagens. Sem nunca se ancorar em emocionalismos ou truques maiores, a história é simples e objetiva. O futebol é mostrado, ainda que numa época antes da história, através de lentes bem modernas. A sua particularidades, peripécias e outras tantas “fintas” são alvo de gargalhada.

Na sua estreia na realização a só, Nick Park mostra atualidade nas suas imagens. Ainda que mantendo-se próximo da sua forma de nos contar as suas histórias, existem algumas ideia novas no seu cinema – os planos mais “paisagísticos” são prova disso.  A equipa de animação, que conta com o português Emanuel Nevado, segue esta mesma linha. As cores, bem como a fotografia, são particularmente coloridas. Os céus vermelhos com poeira e a floresta são bons exemplos de marcas visuais contrastantes. Os cenários ultrapassam muitas vezes a complexidade visual do projetos anteriores de Park, como A Ovelha Choné (2015).

© 2018 Studiocanal S.A.S. and The British Film Institute

O que distancia em larga escala este cinema e esta animação é, sem dúvida, a diversão por diversão. As imagens são inventivas, as personagens rebuscadas e mais idioticamente desastradas do que em qualquer produção da Pixar ou Disney.  Não existe aqui qualquer tipo de malabarismo de imagens, personagens ou sons polidos. A experiência é menos exigente, mas mesmo assim mais que capaz de encher o olho a qualquer um.

Nick Park em Portugal e na MONSTRA

Nick Park marca o seu regresso com uma continuação do seu trabalho, ao mesmo tempo que sofre uma natural evolução enquanto criativo. A sua presença foi ontem assegurada na antestreia, através de um pequeno vídeo gravado para aqueles para se encontravam na sala. Já esta sexta-feira o realizador irá juntar-se à MONSTRA até domingo. Além de promover A Idade da Pedra, irá também conduzir uma conversa sobre a sua obra, no dia 9 de março no Cinema São Jorge.

Perante uma Sala Manoel de Oliveira repleta de crianças, mas também com muitos adultos, a MONSTRA abriu o apetite à sua audiência. A prova do festival deixou boas premissas para os 10 dias de animação que se seguem. Entre as 500 projeções de curtas e longas-metragens, a organização fez saber que já são 20.000 as inscrições para a Monstrinha. O festival começa hoje, dia 8, e decorrerá até dia 18.

6,5/10

FICHA TÉCNICA

Título: A Idade da Pedra
Realização: Nick Park
Argumento: Mark Burton James Higginson
Vozes portuguesas:  Mariana Cabral/Bumba na Fofinha, José Pedro Vasconcelos, David Fonseca Eduardo Madeira
Género: Comédia e Aventura
Duração: 74 minutos