66 anos depois do primeiro número, a revista musical NME deixa as bancas. O periódico britânico termina com a edição desta sexta (9), passando a focar-se em conteúdos digitais. A mudança é justificada pela distribuidora Time Inc. com o aumento de custos e dificuldades de publicidade.

Esta é a segunda mudança ao formato físico da revista. Em 2015, como consequência do declínio de vendas no setor das revistas britânicas, o seu formato pago desapareceu. Reintroduziu-se como título gratuito, suportado por anúncios. A tiragem aumentou de 15 mil cópias para um recorde de 300 mil; os números eram distribuídos em universidades, lojas e transportes.

De acordo com Paul Cheal, da Time Inc., os custos de produção emergentes e as dificuldades do mercado de publicidade ditaram o encerramento do formato atual, que perdeu a viabilidade financeira. Verifica, contudo, que a edição gratuita fomentou “a maior audiência de sempre” no site.

O futuro próximo da NME

Será este “espaço digital” o alvo do “esforço e investimento para assegurar um futuro forte para a NME.” Os conteúdos do formato extinto estarão no site, onde vai ser inaugurado o semanário The Big Read. Um representante confirma que as próximas apostas são um serviço de bilheteira e duas estações de rádio. Mantêm-se, também, a plataforma digital PledgeMusic, que liga diretamente artistas a fãs.

Continuarão a ser publicadas edições físicas pontuais da NME, da série especial NME Gold. Cheal avança que serão estudadas outras oportunidades de integrar o mercado impresso.

Fundada em março de 1952, a NME tornou-se um nome cimeiro da imprensa musical; foi responsável pelo primeiro top de vendas britânico. Realiza anualmente a cerimónia dos NME Awards, que galardoam artistas e lançamentos.

O análogo português

Em Portugal, o caso semelhante mais recente foi o da Blitz, fundado em 1984. O antigo jornal semanal de música converteu-se em revista mensal em 2006, antes de terminar a edição física em janeiro deste ano, instalando-se permanentemente no digital.