Neste sábado, 3 de março, os The Gift foram apresentar ao Coliseu dos Recreios tudo aquilo que o seu último álbum, ALTAR, tinha para dar… e não só. Condensada num concerto de duas horas e um quarto, a banda de Alcobaça apresentou toda uma história de 23 anos de independência, de uma personalidade única que, embora dinâmica ao longo do tempo, sempre se aliou ao amor à música, pela música.

O violino excêntrico de IAN

Eram 21h30 e o Coliseu já se encontrava meio cheio. Composto por um público de várias idades, que, provavelmente, pouco ou nada conhecia sobre o projeto desta artista russa que desejou misturar as sonoridades graves do trip-hop com tudo o que de clássico o seu instrumento musical transmite, suspirava-se pela banda de Driving You Slow.

Bastou que IAN aparecesse, para o público português respirar e concentrar o seu olhar nesta figura estranha e majestosa que subia ao palco. Sozinha, cantava sem qualquer hesitação músicas como Weird, em que, numa voz robotizada que lembra a “tecnologia” Daft-Punkiana de 2005, a autora assumia que estava apaixonada pelo estranho.

Sempre num tom exótico, com o violino ao lado, IAN apresentou o seu EP de estreia e, sem despedida, desapareceu, deixando a curiosidade pairar na sala lisboeta.

De Vinyl a ALTAR

Apesar da ALTAR tour ser uma digressão, sobretudo, ambiciosa, que já passou pelo Union Chapelem Londres, no dia 24 de fevereiro, pouco tiveram os The Gift de ambicionar para conquistar o Coliseu. A sala foi, do início ao fim, deles.

Após uma contagem decrescente de 15 minutos, às 22h15, o grupo começa a sua atuação, introduzindo o concerto com uma mão cheia de músicas do recente álbum, que pouco ou nada pareciam ser incógnitas para um coliseu que saltava ao som de Big Fish, como se fosse público de um festival de verão.

No entanto, diz a vocalista Sónia Tavares: “um álbum inteiro não dá para fazer duas horas de concerto” e acabamos por revisitar pérolas da biografia da banda, tais como Front Of,  Doctor,  do álbum 20, ou a explosão sentimental que é Always Better If You Wait For The Sunrise de Explode.

Intimismo, singles e a melhor fase dos The Gift

Desconstruindo uma ideia de que os The Gift teriam entrado numa onda de arrogância e narcisismo, apela-se às emoções de quem ouve, ao escutarmos a melancolia de Primavera. O êxito de 2011 teve, como acompanhamento, a voz de uma sala cheia, que conhecia todas as palavras de cor.

Driving You Slow, Music ou RGB vão ditando o ritmo de um concerto que vai chegando ao seu fim. Depois dos sintetizadores coloridos de Clinic Hope e da obscura Love without Violins, a banda abandona o palco e os pés começam a bater no chão, cumprindo a tradição, pedindo por mais.

Sónia Tavares volta vestida de batina, cantando e dançando I Loved It All, música de introdução de ALTAR, de forma espontânea, como se uma das maiores salas de espetáculos lisboetas fosse a sua casa. Os outros cinco membros reaparecem e toca-se o single mais recente: You Will be Queen.

Num segundo encore, cria-se o momento mais intimista da noite: Fácil de Entender apresenta-se minimalista, apenas com Nuno Gonçalves, compositor e teclista, num pequeno piano e Sónia na voz. Seguidamente, “Há tempo para mais uma”: a apaixonada Question of Love, de 2001, encerra um dos melhores concertos do grupo, naquela que dizem ser a sua melhor fase.  O altar desmorona-se e voltamos para casa com 23 anos de The Gift e um “obrigado” no coração.

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