É já hoje a tão aguardada cerimónia dos Óscares, que celebra este ano a sua 90ª edição. Nos últimos dias, o Espalha-Factos indicou Três Cartazes à Beira da Estrada e A Forma da Água como os principais candidatos a vencer o cobiçado Óscar de Melhor Filme. No entanto, foi Linha Fantasma, realizado por Paul Thomas Anderson, que reuniu o consenso dos nossos redatores como sendo o melhor filme de entre os nomeados deste ano.

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Apesar destas escolhas, foi Foge, de Jordan Peele, que hoje surpreendeu todos ao vencer o prémio de Melhor Filme na 33ª edição dos Independent Spirit Awards – algo a realçar, visto que nos últimos quatro anos o vencedor deste galardão acabou por também levar para casa o Óscar de Melhor Filme.

Sendo assim, o que irá acontecer? O Espalha-Factos resume num parágrafo todos os filmes nomeados àquele que é considerado o maior prémio dos Oscars, para que tu próprio possas tentar adivinhar qual deles será o grande vencedor desta madrugada.

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A Forma da Água

The Shape of Water / A Forma da Água

Fonte: Divulgação

“É pela dicotomia monstro/humano que o filme se constrói. Desde o seu início percebemos bem a atitude e mensagem de Del Toro: humanizar a besta e demonizar o ser humano. É uma fórmula simples, já vista, e que é seguida à risca num filme que parece estar completamente estruturado desde o seu início, não deixando espaço para surpresas. Mas A Forma da Água, por mais estruturado que esteja, é uma película que tem a capacidade de nos surpreender nos momentos que menos esperamos, e nisso torna-se numa obra de uma exímia e inteligente realização.”

Crítica de Ricardo Rodrigues.

A Hora Mais Negra

Fonte: Divulgação – Focus Features

“Este é um argumento fácil, que foge pela porta mais simples e que trata o espectador como alguém que se resigna à comodidade de ter tudo explicado e simplificado. Em que nada acontece sem um evento causa-efeito. Além de nos proporcionar um carismático Churchill – muito ajudado pela irrepreensível prestação de Gary Oldman – o argumento de A Hora Mais Negra erra em tanta coisa que acaba por desvirtuar o trabalho daquelas partes que de facto são realmente muito boas, como os atores, a fotografia, a banda-sonora e, claro, a caracterização.”

Crítica de Ricardo Rodrigues.

Chama-me pelo Teu Nome

Fonte: Divulgação

“«Chama-me pelo teu nome e chamar-te-ei pelo meu» é o mote que contempla a poeticidade da história de Chalamet e Hammer. Guadagnino produz uma delicada discussão sobre amar e todos os custos que daí advêmHá humanidade num filme que é tragicamente belo. O ecrã enche-se da ansiedade, das paixões e dos desgostos de Elio, Oliver, Marzia e Chiara. Em última análise, esta é a profunda e muito atribulada história de Elio, história essa que parece sair diretamente da realidade para a tela de cinema. Chama-lhe cinema e chamar-lhe-ei arte.”

Crítica de Carlos Bonifácio.

Dunkirk

Fonte: Divulgação

“Desde o set, à fotografia, da mistura de som à banda sonora, dos planos aéreos aos marítimos, Christopher Nolan consegue montar aqui um sentimento de uncanny que se prolonga até ao final do filme, até ao momento em que o incessante tic tac tic tac tic tac subitamente pára numa carruagem de comboio, onde o nosso coração também parece parar, ou antes, voltar a um ritmo mais normalizado.”

Crítica de Ricardo Rodrigues.

Foge

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Fonte: Divulgação

“Há uma sensação de pânico subentendido que pauta a primeira parte de Foge. Sabemos que é um filme de terror, sim, mas sente-se algo cada vez mais inédito nas sucessivas entregas vazias que povoam o género cinematográfico; uma inquietação muito precisa, em que tudo aparenta estar bem, somente à espera de que a fachada caia. É quase mágico, aquela primeira hora de inocência como espectador.”

Crítica de Gonçalo Silva.

Lady Bird

lady bird

Fonte: Divulgação/NOS Audiovisuais

“Apenas levemente baseado em eventos da sua vida, afirma Gerwig, mas com um cunho pessoal muito próprio e sentido. É palpável a sua paixão em subverter o próprio ódio à sua terra natal de Sacramento; em relatar os dramas da adolescência, do ano decisivo na vida de quem está prestes a tornar-se adulto; e, acima de tudo, em explorar o que une e o que separa mães e filhas. E Gerwig consegue um exercício de equilíbrio perfeito entre todas as vertentes dramáticas da sua fita, culminando numa sugestão sensível do que terá sido a sua existência no início deste século, através da figura de Christine.”

Crítica de Gonçalo Silva.

Linha Fantasma

Fonte: Divulgação – Focus Features

“Linha Fantasma é um filme especial, daqueles tão bem feitos e realizados que nos deixa a sair da sala de cinema com aquele sentimento de “raios, não mudava nada“. Paul Thomas Anderson sempre nos habituou ao seu grande grau de profissionalismo, não fosse ele um dos maiores nomes da indústria independente norte-americana. Neste seu mais recente filme. que, na verdade, é quase britânico, a sua realização foi fulcral para determinar o ritmo da narrativa e o suave (mas ávido) desenlace da história.”

Crítica de Ricardo Rodrigues.

The Post

the post

Fonte: Divulgação/NOS Audiovisuais

“Seria fácil acusar a nova obra de Spielberg de ser somente competente, afinal, é mais uma reconstituição histórica sobre jornalismo, depois de O Caso Spotlight se sagrar vencedor do Oscar de Melhor Filme ainda há dois anos, e de estrearem tantos outros filmes com semelhante temática ao longo das últimas décadas. Mas estamos a falar de Spielberg, um dos magos do cinema de estúdio americano, e The Post nunca é um filme menos que fascinante.”

Crítica de Gonçalo Silva.

Três Cartazes à Beira da Estrada

Três Cartazes à Beira da Estrada

Fotografia: Divulgação

“Um melodrama bem orquestrado ou uma comédia negra por vezes sádica? Um mergulho na ruralidade norte-americana ou uma micro encenação de toda a América? Três Cartazes à Beira da Estrada é de tudo isto um pouco. Uma comédia de tons negros que parte de uma premissa ainda mais negra, mas que vai pintando uma comunidade através do humor. Um filme que se assume, mais do que tudo, como o triunfo do argumento de Martin McDonagh.”

Crítica de Ricardo Rodrigues.