O Festival da Canção está mais vivo do que nunca, mas nem sempre foi assim. A edição de 2017 veio revigorar a competição, que voltou aos lares portugueses como sinónimo de cultura e patriotismo. Principalmente a partir do início dos anos 2000 e até à vitória de Salvador Sobral o festival esteve apagado. O Espalha Factos fez uma seleção de músicas do Festival RTP da Canção que ajudam a contar a história da competição nos últimos 18 anos.

Entre 2000 e 2015 passaram pelo palco do Festival da Canção mais de 180 músicas. Entre escolhas polémicas, seleções internas e os anos em que a RTP associou o Festival ao programa Operação Triunfo, muito aconteceu no concurso criado para fazer a escolha de quem representa Portugal no Eurovision Song Contest.

2000: A segunda vez que Portugal não participa na Eurovisão

A primeira participação de Portugal no Eurovision Song Contest foi em 1964. Não tendo participado em 1970, o ano de 2000 foi a segunda falta do nosso país na competição europeia. No entanto a RTP realizou na mesma o Festival da Canção, de onde saiu vencedora Liana com a canção Sonhos Mágicos. No entanto, do ano 2000 trazemos o segundo classificado do Festival. Com a canção O Teu Tempo, Paulo Terrão tentou levar até ao Festival da Canção um toque de modernidade.

No ano seguinte Nuno Junqueira, com a canção Chamar Por Ti apresenta-se num registo muito semelhante ao de Paulo Terrão. No entanto, embora fosse um dos favoritos acabou por perder para o duo MTM que representou Portugal em Copenhaga com a canção Só Sei Ser Feliz Assim.

2003: O ano certeiro de Rita Guerra

Sem concurso, em 2003 a RTP convidou a cantora Rita Guerra para representar Portugal na Eurovisão. O público teve a oportunidade de votar em três canções apresentadas pela artista na gala da Operação Triunfo. A música Deixa-me Sonhar ficou em 22.º lugar da Eurovisão, mas marcou a música portuguesa e a carreira de Rita Guerra.

Em 2004 a RTP volta a associar o Festival ao programa de talentos. O canal atribuiu a cada um dos três finalistas do concurso uma canção para defenderem em duas galas especiais, Sofia Vitória rumou a Istambul com Foi Magia.

2005: O ano dos jovens dos concursos de televisão

Pela segunda vez na história do festival a RTP decide fazer uma escolha interna para a representação na Eurovisão.

O canal convidou um grupo de compositores, que criaram o tema Amar. Para o interpretar escolheram dois jovens que se tinhamdestacado em programas de talentos.

Luciana Abreu e Rui Drumond levaram, pela primeira vez, uma canção pop em nome de Portugal ao Eurovision Song Contest. Cantada em português e inglês, esta é uma canção que se aproximava cada vez mais do estilo eurovisivo, o que aumentou as expectativas de um bom resultado. Em Kiev, a dupla 2B não consegui classificar-se para a final mas garantiu uma mudança nas participações de Portugal no festival europeu.

Em 2006 o Festival volta aos seus moldes normais e a RTP volta a convidar alguns compositores a apresentarem as suas criações. As Nonstop saem vencedoras com a canção Coisas De Nada, num ano em que a polémica voltou ao evento.

A girlsband foi a preferida do júri, com 12 pontos, mas segunda classificada do televoto. Vânia Oliveira foi a favorita do público, mas não conseguiu a preferência dos jurados, que esse ano tinham o poder de desempate. As meninas avançaram para Atenas, mas Sei Quem Sou (Portugal) acabaria por ganhar maior destaque, ao tornar-se o hino da RTP no Mundial desse ano.

2007: A reviravolta

O pop português estava a aproximar o nosso país do estilo mais comercial da Eurovisão, mas 2007 trocou as voltas a este processo. A vencedora do Festival RTP da Canção 2007 foi Sabrina com a canção Dança Comigo. Composta por Emanuel, a canção vencedora teve uma luta renhida com a canção que escolhemos. Teresa Radamanto com a música Ai de Quem Nunca Cantou traz uma música que vem marcar os anos seguintes do festival.

2008 – 2010: O destaque na Eurovisão

O ano de 2008 é marcado por um dos melhores resultados na Eurovisão nos anos recentes, antes da vitória de Salvador Sobral. A canção Senhora do Mar interpretada por Vânia Fernandes venceu o Festival da Canção 2008 e representou o nosso país em Belgrado.

Embora não tenha ido além do 13.º lugar, conquistou a maior audiência dos últimos 20 anos para uma final do Eurofestival, o que traduz bem as expectativas (goradas) do público português.

A canção vencedora volta a merecer o destaque no ano de 2009. Com uma identidade própria e com o principal objetivo de divulgar a língua e a cultura portuguesa, a canção Todas as Ruas do Amor, interpretada pelo grupo Flor de Lis vence a 45.ª edição do Festival da Canção e consegue chegar à final em Moscovo. Acabaria por conquistar relativo sucesso em território nacional, onde mereceu várias versões e covers.

Em 2010 a canção de Filipa Azevedo vence o festival. Há Dias Assim consegue o 18.º lugar na Eurovisão e é a última canção portuguesa a conseguir classificar-se para a final até 2017.

Em Portugal, a final voltou a ser renhida: Catarina Pereira, com Canta Por Mim, conquista a preferência do televoto e fica a apenas um ponto da vencedora. O estilo, muito usado na Eurovisão, de música dance com arranjos tradicionais, viria a repetir-se, também com Catarina, em 2014.

2011-2012: Os persistentes

O Festival RTP da Canção 2011 ficou marcado por uma grande onda de polémica. Saiu vencedor o grupo Homens da Luta com a canção A Luta é Alegria.

Uma canção de intervenção, que para muitos não deveria representar o nosso país no certame europeu, pelo seu caráter eminentemente político acabou por vencer, deixando para trás os favoritos nos principais sites eurovisivos: Filipa Ruas, Carla Moreno e Rui Andrade.

Esta foi a primeira participação de Rui Andrade no Festival da Canção, mas voltou a tentar logo na edição de 2012. A canção Em Nome do Amor, uma balada de estilo tradicional, classificou-se em terceiro lugar em 2011.

Em 2012 Ricardo Soler volta a tentar a sua sorte, depois de ter participado na edição de 2008. Com a canção Gratia Plena consegue novamente o quarto lugar. Filipa Sousa, com uma composição dos mesmos vencedores de 2008, vence a edição e voa até Baku, mas não consegue classificar-se para a final.

No ano seguinte, em 2013 a RTP decide ficar for a da competição europeia e não realiza o tradicional Festival da Canção.

O evento volta em 2014. Sai vencedora, numa votação decidida unicamente pelo televoto, a canção Quero Ser Tua interpretada por Susana Guerra, ou Suzy. A canção, que traz o pimba de regresso à Eurovisão, fica a 1 ponto da final, muito penalizada pelos jurados europeus, mas em sexto no televoto. Pelo caminho, um rasto de polémica que ameaçou chegar aos tribunais.

Mal-amada a nível nacional, a representante portuguesa acabou por ficar muito conhecida entre os eurofãs, tendo feito amizade com Conchita Wurst, vencedora desse ano. Este sábado (3), a cantora fez parte do júri da final finlandesa e Quero Ser Tua esteve num dos medleys do espetáculo televisivo.

Outra Susana, mas conhecida por Zana, ficou em terceiro lugar e distinguiu-se por trazer de novo ao Festival os sons da música tradicional.

2015: Chegou a mudança?

A edição de 2015 chegou com cheiro a mudança, pelo menos no que diz respeito às musicas a concurso. A RTP convidou 12 compositores com estilos bem diferentes, apostando na diversidade musical. Esta edição ficou marcada pela participação de Simone de Oliveira, mas quem venceu foi a jovem Leonor Andrade com a canção Há Um Mar Que Nos Separa.

Os estilos musicais da edição de 2015 foram bem diversificados. Do fado ao pop, houve canções para todos os gostos. A criação de Héber Marques acabou por se tornar num hit nacional. Mesmo não tendo chegado à final, a canção Dança Joana chegou rapidamente ao n.º 1 do Spotify e a voz de Filipe Gonçalves passou a ser uma constante nas rádios portuguesas.

Em 2016 a RTP voltou a decidir ficar de fora da Eurovisão, não tendo realizado o Festival da Canção, para refletir sobre um novo formato. O regresso foi em 2017, com uma edição totalmente renovada e com a força necessária para vencer a Eurovisão. Salvador Sobral é o escolhido para ir até Kiev defender a bandeira nacional. Para casa traz a taça e a organização do Eurovision Song Contest 2018.

O Festival voltou este ano, mais forte que nunca, para encontrar o sucessor de Salvador. A final da edição de 2018 decorre esta noite (4) no Pavilhão Multiusos de Guimarães e conta com a apresentação de Filomena Cautela e Pedro Fernandes.