O diretor do Teatro Nacional D. Maria II anunciou esta sexta-feira a criação de uma bolsa para jovens criadores no valor de 18.500 euros. A iniciativa homenageia Amélia Rey Colaço, no dia em que a artista faria 120 anos.

Criada em conjunto com o Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, e a associação cultural O Espaço do Tempo, em Montemor-o-Novo, a bolsa destina-se a companhias e jovens atores que ambicionem produzir um espetáculo.

Para Tiago Rodrigues, diretor do teatro, o projeto visa “contribuir para a inovação do tecido teatral em Portugal”, ajudando novos criadores a produzirem um trabalho da sua autoria.

As candidaturas para a bolsa que assinala o aniversário de Amélia Rey Colaço vão estar abertas a partir da próxima semana. O vencedor poderá estrear, em maio do próximo ano, uma peça de teatro na sala Estúdio do Teatro D. Maria II.

Mais tarde, o espetáculo poderá também subir ao palco de Guimarães e de Montemor-o-Novo.

O diretor do teatro acredita não haver outro nome para além de Amélia Rey Colaçoque tanto ajudou novos atores e técnicos e pessoas ligadas ao teatro”. Com o marido, Amélia fundou uma companhia de teatro, que funcionou no Teatro Nacional D. Maria II entre 1920 e 1964, ano em que a sala foi destruída por um incêndio.

Exposição Amélia

Depois da apresentação da bolsa Amélia Rey Colaço, foi também inaugurada uma exposição no átrio do Teatro D. Maria II, com fotografias da “diva” do teatro.

Com curadoria de Cláudia Madeira, Filipe Figueiredo e Teresa Flores, a exposição conta com apenas 30 fotografias e alguns objetos. “Não queríamos fazer uma exposição sobre a carreira de Amélia Rey Colaço, isso seria outra coisa”, explicou o investigador Filipe Figueiredo.

A ideia é compreender a relação entre a artista e a fotografia: o modo como se deixou fotografar, como posou para os melhores fotógrafos da época ou como usou a fotografia no seu trabalho.

Da exposição fazem também parte cartas de Bernardo Santareno e uma edição de Mãe Coragem, de Brecht, onde Amélia escreveu: “Um sonho que não me é consentido”.

A exposição pode ser visitada de quarta a domingo, meia-hora antes do início dos espetáculos na Sala Garrett, até ao final de setembro.

LÊ TAMBÉM: TEATRO-BIOGRAFIA: EM PALCO, O ABRAÇO É REAL