Carolina Santiago tem 21 anos e encontra-se de momento a finalizar a licenciatura em Jornalismo. É ela que assina o Heaven Rose. Ainda a tentar ganhar um lugar entre cada vez mais bloggers, Carolina vê este mundo como uma oportunidade para “inspirar pessoas”.

É no Instagram que Carolina está mais presente. A blogger conta com perto de 11 mil seguidores, alimentando a sua conta com fotografias de looks, viagens e com stories do seu dia-a-dia. O Espalha-Factos esteve à conversa com a Carolina para perceber a evolução dos blogs, redes sociais e o caminho futuro das pessoas que, como ela, querem viver do digital.

Foto: João Correia de Sá

Espalha-Factos – O que consideras ter mudado, naquilo a que se chama de blogosfera, desde que começaste até agora?

Carolina Santiago – Apesar de o Heaven Rose ter começado em 2012, já estou na blogosfera desde 2010, através de outros blogs. Quando comecei, a maior parte dos bloggers escreviam imenso, agora é diferente: escrevem pouco porque sabem que o público não gosta de muito texto. Sinto que, por parte dos leitores, há uma menor vontade de ler.  A verdade é que quem gosta, lê – por isso, o melhor é fazermos aquilo que mais gostamos, da forma que for mais idêntica ao nosso gosto.
Por outro lado, o contacto com as marcas e agências de comunicação é muito maior, o que ajuda a que ambas as partes – marcas e blogs – cresçam. A própria blogosfera tornou-se também um local com uma visibilidade e credibilidade muito maior cá em Portugal. Sem dúvida alguma que a forma como podemos monetizar o nosso espaço virtual agora é diferente.

EF – Nessa evolução, de que forma as primeiras bloggers passaram a ser atuais influenciadoras digitais, relações públicas ou account managers de marcas?

CS – Quando escrevemos diariamente num espaço virtual, criamos uma ligação com quem nos lê muito rapidamente. A nossa opinião começa a ter relevância e as pessoas têm-na muito em conta. Desta forma, acaba por funcionar como uma vertente muito eficaz de publicidade, pois quando as opiniões são honestas as leitoras tendem a comprar os produtos. Acho que isto foi um grande incentivo para que as agências de publicidade olhassem mais para as bloggers como alguém cuja opinião e visibilidade pudessem ser orientadas de forma mais profissional, daí o termo “influencer”.
No início desta era de contacto entre bloggers e marcas, as coisas eram muito simples. Hoje em dia já está tudo organizado de uma forma mais profissional e os conteúdos são escolhidos ao pormenor. Tem muito que ver com a capacidade, alcance e profissionalismo da pessoa em questão. Quanto mais dedicada e conhecida é uma blogger, mais capacidade tem de evoluir até ao patamar de account manager de uma marca, por exemplo.

Foto: João Correia de Sá

EF – Com o crescer de plataformas como o Youtube e o Instagram, sentes que os blogs sofreram com a evolução destas plataformas ou encaras isso como algo natural e orgânico?

CS – No mundo digital, tudo acontece muito rapidamente. Hoje, uma rede social é importante, amanhã, já nem tanto. Aparecem constantemente novas plataformas de divulgação de trabalho. Com mais e melhor, é normal que outras percam relevância, tal como aconteceu com o Facebook assim que o Instagram ganhou popularidade. Então, posso dizer que sim, os blogs sofreram um pouco com a evolução do Instagram e do Youtube. As plataformas coexistem, porém são aquelas em que podemos ter uma visão mais real e próxima da pessoa que criam um público mais leal, tal como acontece no Youtube – conseguimos ver como é que a pessoa fala e logo aí se cria empatia.

 

Foto: João Correia de Sá

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EF – De forma a desmistificar todas as subcategorias que temos vindo a ler, quais são as maiores diferenças que vês entre bloggers, youtubers, instagrammers ou digital influencers?

CS – Penso que todos os hobbies requerem muito esforço e dedicação, no entanto, parece-me que apenas sendo instagrammer é preciso menos tempo para criar conteúdos. Acho também que os youtubers são quem consegue um público mais fiel, tal como os bloggers. Os digital influencers acarretam uma responsabilidade maior na construção do seu perfil.

EF – Crês ser possível viver-se dos blogs?

CS – Sim, sem dúvida. Apesar de o mercado estar muito desenvolvido e a concorrência ser bastante, quando o trabalho é bom e tem o seu alcance tudo é possível.  Viver dos blogs não está apenas relacionado ao blog em si mas a tudo o que ele implica: Instagram, Facebook, marketing digital.

Foto: João Correia de Sá

EF – Para onde pensas que está a caminhar todo este boom digital e de que forma a sociedade irá evoluir com o avanço e multiplicação de plataformas digitais e consequentemente, criadores de conteúdo?

CS – Espero que avance positivamente e que possamos encaminhar o público de uma forma positiva, recomendando o que achamos melhor e podendo inspirar pessoas a terem estilos de vida mais saudáveis e alegres. Sempre foi esse um dos propósitos do meu blog: inspirar. Por isso, espero que este boom digital e a multiplicação das plataformas digitais se equilibrem com a vida real e tenham um impacto positivo nas nossas vidas!