Justin Bieber completa hoje 24 primaveras. Desde os anos mais tenros de Baby até ao sucesso internacional de Love Yourself, o Espalha-Factos acompanha o fenómeno da bieber fever.

Das escadas da igreja à O2 Arena

Contado ninguém acredita: o primeiro público de um dos mais famosos nomes da pop internacional foram os habitantes de Stratford, uma cidade em Ontário. Desde cedo que Justin Bieber cantava nas escadas da igreja local, colecionando aos poucos os seus primeiros admiradores. A sua paixão pela música teve um despertar surpreendentemente precoce quando, aos dois anos de idade, uma bateria de brincar se tornou o seu brinquedo favorito.

Mais tarde, um vídeo de Justin a cantar num concurso de talentos local marcou o início do seu sucesso na plataforma mais viral da altura – o Youtube. Foi graças aos seus covers que foi descoberto por Scooter Braun, um produtor americano, que lhe ofereceu um contrato de gravação em 2008.

O seu primeiro EP, My World, transparecia ainda a ingenuidade de um adolescente de 15 anos para quem a fama é uma novidade. Temas com títulos comuns como Love Me ou Favorite Girl, cuja composição já previa a participação do cantor, apresentavam ainda uma letra pouco desenvolvida. No entanto, as capacidades vocais de Bieber eram já inegáveis.

A sua estreia vendeu 137 mil cópias na primeira semana nos Estados Unidos. My World 2.0, o seu sucessor, chegou às 283 mil. A partir daí, sucederam-se uma série de conquistas que tornaram Bieber numa das celebridades mais bem pagas abaixo dos 30 anos, pela Forbes. Em 2010, vence o prémio de Artista do Ano nos American Music Awards e no ano seguinte é lançada a primeira autobiografia em DVD, onde a caminhada até ao sucesso vem narrada pelo próprio.

A bieber fever rapidamente se tornou uma febre oficialmente instalada e altamente contagiante. De repente, a sala de espetáculos não era mais o passeio em Stratford mas a 02 Arena, uma das maiores salas de concertos da Europa, que recebeu Justin Bieber pela primeira vez em março de 2013. Poucos dias depois, dar-se-ia a primeira passagem por Portugal, que só se voltaria a repetir em novembro de 2016 com a Purpose World Tour.Justin Bieber

Um guilty pleasure que se tornou menos embaraçoso

Rapidamente chegámos à era em que o preço dos bilhetes para uma sessão de autógrafos chega aos 345 euros e em que existem exposições sobre a carreira de Bieber em museus no Canadá.

Contudo, a fama do jovem artista não passa só pela sua carreira musical. Nos anos seguintes, Justin foi alvo de inúmeras polémicas, desde consumo de droga a excessos de velocidade na estrada. Alguns momentos mais desastrados causaram danos permanentes na sua reputação, nomeadamente uma saída infeliz durante uma visita à casa de Anne Frank, em Amesterdão (“A Anne era uma rapariga fantástica. Com sorte, ela teria sido uma belieber“).

A sua vida amorosa também goza de constante destaque nos tablóides, principalmente o seu namoro on-off com Selena Gomez, que recentemente voltou a dar que falar. O seu último álbum, Purpose (2015), marca o início da mais recente e atual era de Justin Bieber, da qual a última novidade é a colaboração com o americano BloodPop, em Friends.

Desde o desaparecimento do timbre muito agudo e próximo das vozes femininas, com a natural evolução da voz causa pela idade, à mudança radical de visual, é de notar uma evolução sem precedentes.

Veja-se pela base de fãs: apenas uma percentagem do público que sabia as letras de One Less Lonely Girl é a mesma que compra o recente êxito Company. A composição musical direcionada para raparigas adolescentes deu lugar a uma liberdade artística que parece em sintonia com quem a canta – Justin Bieber parece ter encontrado o seu caminho. De um R&B amador e discreto a uma pop assumidamente pop, as últimas décadas pareceram dissolver aquele constrangimento cliché de ouvir Justin Bieber, que parece agora tão antigo.