A Weinstein Company anunciou este domingo (26) que as negociações para a venda da empresa falharam. Como tal, e como tinha anunciado anteriormente, a produtora cinematográfica irá declarar falência.

Numa carta dirigida ao grupo de investidores, a companhia recusa a proposta de venda por não ser uma “hipótese viável”.  O conselho de representantes acrescentou que “o plano para comprar a companhia era ilusório e deixaria a empresa a caminhar para o seu desmantelamento”.

De acordo com o The New York Times, o fim das negociações deveu-se a uma promessa não cumprida pelo grupo de investidores. Alegadamente, os potenciais compradores não garantiram o financiamento necessário para manter a empresa aberta até o processo de compra estar completo.

A companhia tem estado a tentar evitar a bancarrota desde outubro de 2017. Na altura, o Times e o The New Yorker reportaram várias décadas de alegações de assédio e agressão sexual pelas mãos do co-fundador Harvey Weinstein, que tinham sido silenciadas.

Segundo a Variety, a venda esteve perto de ser anunciada há duas semanas. O processo terá sido adiado devido a intervenção do procurador geral Eric Schneiderman, que instalou um processo contra a Weinstein Co. por ter permitido os abusos sexuais.

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A Weinstein Co. já tinha recusado ofertas de outros potenciais compradores. Em causa estavam propostas que incluíam somente parte da empresa e/ou não garantiam o emprego dos funcionários. Uma das ofertas recusadas foi a da Lionsgate, que se ofereceu para comprar a biblioteca de 277 filmes da produtora que inclui títulos como O Jogo da Imitação e Django Unchained.

Os sucessos da Weinstein Co.

A Weinstein Company foi fundada em 2005 pelos irmãos Harvey e Bob Weinstein. A companhia surgiu no rescaldo do sucesso da Miramax, a companhia que os irmãos tinham fundado em 1979 e vendido à Walt Disney Company em 1990.

Entre os principais filmes da empresa encontram-se: O Leitor (2009), O Discurso do Rei (2010), A Dama de Ferro (2011) e Carol (2015).

As dificuldades nos últimos anos

Apesar dos seus vários sucessos na sua curta existência, a Weinstein Co. tem passado por dificuldades nos últimos anos. Em 2009, iniciou um processo de reestruturação que resultou em várias vagas de despedimentos e que atrasou as datas de estreia de vários filmes.

A sua última presença proeminente nos Óscares foi em 2012. Com o filme O Artista, ganharam cinco prémios, incluindo o de melhor filme. A situação agravou-se a partir de 2013. Desde a estreia de O Mordomo, a Weinstein Co. não registou mais nenhum sucesso de bilheteira.

O escândalo sexual envolvendo um dos cofundadores foi a gota de água para a empresa.

Outras repercussões do caso Weinstein

O caso de Weinstein desencadeou uma série de denúncias de má conduta sexual no mundo do cinema. Esta onda alargou-se rapidamente a outros setores, levando mulheres em todo o mundo a denunciarem abusos de poder por parte dos seus superiores.

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A revista Time mantém uma lista atualizada de todos os casos envolvendo nomes famosos que surgiram desde o caso Weinstein. A lista conta atualmente com 122 nomes. Entre as denúncias mais recentes estão os nomes de James Franco, Michael Douglas, David Copperfield e John Lasseter.

O tema da má conduta sexual no setor cinematográfico (e no mundo do trabalho em geral) tornaram-se temas centrais nas principais cerimónias de prémios este ano. As referências em discursos durante as cerimónias e as roupas simbolicamente negras das celebridades têm sido recorrentes.

Desta onda de acusações resultaram também os movimentos Time’s Up e #MeToo.