Ordinária, extraordinária e de instinto, é assim que o Chef Rui Rebelo define a sua cozinha. Aberta desde 2012, a Oficina do Duque apresentou um novo conceito: é o local onde o ordinário se torna em extraordinário. O Espalha-Factos foi em reportagem ao espaço renovado na Calçada do Duque, em Lisboa, e revela-te, agora, todos os pormenores importantes.

Uma refeição é mais do que o simples gesto de comer, é uma experiência singular, e, sempre que possível, inesquecível. É isso que Rui Rebelo quer provar a quem o visita na Oficina do Duque, recentemente renovada.

A nossa experiência tem logo início na subida íngreme da Calçada do Duque, com uma vista fenomenal para a cidade de Lisboa. A Oficina do Duque está discretamente localizada numa esquina. Ao entrarmos, o gigante letreiro, a talha dourada, confirma que estamos no lugar certo. Nada ali está por acaso. A decoração remete para o conceito de oficina. A parede principal da sala do restaurante está decorada com ferramentas de culinária ancestrais.

Entrada da Oficina do Duque

“O binómio que há aqui é: tornar as coisas banais em coisas extraordinárias. O banal tornar-se extraordinário. Daí teres o cimento, a nobreza da talha dourada. Trabalhar produtos que, só por si seriam mais simples, mas que depois de trabalhados com dedicação, técnica e paixão, os tentamos elevar a algo que seja mais extraordinário”, conta, ao Espalha-Factos, Rui Rebelo

Entradas: “Gostamos de fazer as coisas artesanais”

A cozinha está separada da sala principal por uma grande janela. Ali não há segredos. Quando ocupamos a mesa que nos é destinada, chega-nos à mesa o couvert, protagonizado pelo paté de miudezas de pato e vinho do Porto. Se à partida muitos podiam torcer o nariz a tal combinação, a verdade é que a textura e o sabor surpreendem até o mais cético dos comensais.

Sala principal da Oficina do Duque

Na Oficina do Duque trabalham 17 pessoas, que servem cerca de 300 refeições por dia. Rui Rebelo deposita toda a confiança na sua equipa. Aqui não são utilizados quaisquer produtos processados. O pão do couvert é feito na cozinha do Duque, bem como todos os caldos utilizados na confeção dos pratos. Como o próprio nome diz, somos uma Oficina. Gostamos de fazer as coisas artesanais. Tentamos dar um cunho pessoal”, explica o Chef. 

Rui Rebelo na cozinha da Oficina do Duque

O artesanal sobressai na apresentação dos pratos servidos nesta Oficina. De seguida, é-nos servido um creme de abóbora e queijo fresco. A sopa é vertida sobre um prato com manjericão, cherovia crocante e o queijo fresco. O resultado é uma entrada saborosa, com contraste de texturas, que nos faz sentir em casa.

A carta é composta por alguns petiscos. Entre os mais pedidos, estão o Polvo, a Batata a Murro e Aneto, bem como os Hambúrgueres de choco e vaca.  O polvo podia comer-se à colher, é tenro e saboroso. Já do mini hambúrguer de choco destaca-se a maionese de wasabi.

Polvo com batata a murro e aneto

Principais: “por instinto”

A trabalhar na restauração desde os 17 anos, Rui Rebelo vai buscar a inspiração para a sua cozinha às viagens que faz e ao seu instinto. A minha inspiração é viver. Eu cozinho como vivo, por instinto”, confessa o Chef. Os pratos principais são o resultado deste trabalho liderado pelo binómio razão/paixão. 

O sarrajão vem braseado e acompanhado por legumes crocantes e um puré de raízes e soja. O Absolut Basil, recomendado pelo Chef, acompanha a refeição. É uma combinação de vodca com o fresco sabor do gelado de manjericão.

Sarrajão braseado com puré de raízes e soja / Absolut Basil

“Nós temos um público alvo muito identificado: quem gostar de estar num espaço minimamente trendy, mas que também tem de gostar de comer”, aponta Rui Rebelo. Os clientes da Oficina do Duque “não deixam” que certas iguarias sejam retiradas da carta: o Borrego confitado a baixa temperatura com couscous e gelado de hortelã ou o Rabo de boi com Chicharos e puré de pêra. 

“As pessoas não identificam o rabo de boi com a decoração do restaurante. É este o tal binómio do banal/extraordinário. A piada é esta. Quando pensam em rabo de boi, pensam que têm que chupar os ossos, mas não, vem desossado e enrolado”, acrescenta o Chef da Oficina. 

Decoração da Oficina do Duque

Sobremesas: “menos é mais”

O ambiente e a banda sonora da Oficina do Duque propiciam boas conversas em torno da refeição. É assim que provamos a primeira colherada o Leite creme com gelado de caramelo e xarope de citrinos. Esta sobremesa revela ter mais do que um paladar delicioso,  tem também um aroma agradável, graças ao tomilho sobre o qual a taça assenta.

Leite creme com gelado de caramelo e xarope de citrínos

Simplicidade é a palavra que podemos utilizar para definir as sobremesas da Oficina do Duque.  “O grande desafio dos portugueses é perceberem que menos é mais. Eu neste momento sigo uma cozinha de instinto, porque ainda não consegui fechar quem eu sou como Chef. Seguindo o meu instinto, a certeza a que chego é que menos é mais”, conclui Rui Rebelo. 

Fechamos com chave de ouro, ou como quem diz, com a mousse de chocolate com azeite frutado e flor de sal. não é a típica mousse que nos é familiar, é familiar e aconchegante. A flor de sal e o azeite dão-lhe um sabor singular, que nos faz querer lá voltar.

Em maio, o Chef Rui Rebelo vai vestir a Oficina do Duque com uma nova carta. Até lá, as iguarias que tivemos a oportunidade de conhecer, estão disponíveis na Calçada do Duque, 43A. Uma refeição é sempre uma experiência”, diz o Chef e nós concordamos.