A Guerra dos Tronos não é a única série a basear-se (dada a evolução postscriptum talvez possamos dizer “inspirar-se”) na literatura. O pequeno ecrã tem a vantagem de se prolongar por anos e de impor o seu próprio ritmo ao recetor da história. O “esticar” da linha narrativa promove a especulação e a reflexão sobre o material apresentado e acaba por criar uma digestão diferente da informação.

Se existem más adaptações de livros, existem, também, grandes adaptações. Nesta lista, o Espalha-Factos reuniu alguns títulos que serviram de inspiração ou escora a séries que já terminaram, bem como, a algumas ainda em exibição.

1. Riverdale (2017-)

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Foto: divulgação

Começamos com uma série

muito atual e que oferece uma nova pele à sua fonte: Archie Comics. O protagonista já não é tão naïve, Veronica é latina e ligeiramente mais simpática, Kevin tem um papel mais relevante no guião (apesar de ter sido, efetivamente, o primeiro personagem num comic assumidamente gay) e Jughead e Betty são muito mais tridimensionais. E o Jason…enfim.

A primeira aparição dos personagens principais (a quem já associamos as caras de KJ Apa, Camila Mendes, Cole Sprouse e Lilli Reinhart) foi em 1941 na Pep Comics: uma antologia de livros de banda-desenhada americanos. Depois de muitas publicações, já sob a denominação de Archie Comic Publications, Inc. a editora fez um relançamento do formato em Julho de 2015, adaptando a história a novos públicos.

Embora não estejam disponíveis em português (como alguns dos inframencionados) o site Book Depository tem disponíveis vários livros do nosso Archibald dos quais se destaca esta coletânea por cerca de 7 euros e a Comic Book Plus disponibiliza algumas das tiras que já fazem parte do domínio público.

A série pertence à Netflix e completará em breve a segunda temporada.

 2. Dexter (2006 – 2013)

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Fonte: Giphy

O serial killer mais famoso e consensual da TV é também aquele que pode puxar dos galões para dizer que teve a maior audiência (até à data) num episódio de series finale da Showtime. O fenómeno é baseado nos romances de Jeff Lindsay, sendo o primeiro volume de julho de 2004.

A saga está disponível na Livraria Almedina e Dexter – Um Pesadelo Raiado de Negro está a distância de cerca de 13 euros.

(Série disponível na Netflix.)

3. Crónica de Uma Serva (a.k.a The Handmaid’s Tale) (2017-)

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Fonte: Giphy

O romance distópico de Margaret Atwood foi mote para série da Hulu que já faz sucesso, arrebatando oito Prémios Emmy do Primetime em 2017. O livro em si, não se rende, tendo obtido várias nomeações e dois Prémios (Prémio do Governador Geral [1985] e o Prémio Arthur C. Clarke [1987].

A obra da autora canadiana é publicada em 1985 e possui uma narrativa de “ficção especulativa” (segundo a própria Atwood) arrepiante em que as mulheres são subjugadas e perdem toda a independência. Crónica de Uma Serva, Publicações Europa-América, 1988: 17 euros; A História de Uma Serva, Editora Bertrand, 2013: 19 euros

(Série disponível em todas as plataformas NOS Play)

4. Ossos (a.k.a Bones) (2005 – 2017)

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Fonte: Giphy

Uma das séries da FOX com mais temporadas no esqueleto (doze), Bones é já um clássico televisivo e um alto relevo na investigação criminal. Com uma antropóloga forense como protagonista quer dos livros de Kathy Reichs, quer da adaptação da série, a narrativa é envolvente, cheia de ação e dinamismo e, claro…de mistério. Foram escritos cerca de dezanove tomos desde do lançamento de Déjà Dead (Déjà Morta no Brasil) com Temperance ‘Bones’ Brennan a figurar na proa. A autora é também antropóloga forense o que constitui uma mistura curiosa entre a ficção e a realidade.

É possível adquirir os livros online: em português, através da Amazon Brasil e em inglês através da Book Depository. Na primeira opção, cada exemplar físico pode ser adquirido por cerca de 12 euros (portes não incluídos), sendo a versão Kindle a metade do preço. Já na livraria inglesa os preços podem oscilar entre os 6 e os 12 euros.

5. Orange Is The New Black (2013-)

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Fonte: Giphy

As presidiárias de Litchfield já conquistaram, certamente, o coração de muitos os que se atreveram a iniciar uma inevitável maratona de OITNB. Mas e se Piper e Alex nunca se tivessem encontrado na prisão? E se o rancor entre elas tivesse subsistido? Bem, há uma resposta curta para estas perguntas: a realidade. A verdadeira Piper Chapman é Piper Kerman, a autora de Orange Is the New Black: My Time in a Women’s Prison (2010) e foi o seu livro de memórias que serviu como inspiração para a aclamada série original da Netflix. Não se tratando de um livro de ficção, serve apenas o propósito de orientação e fonte, embora Kerman se mantenha como referência para o rumo tomado pela série.

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Fonte: Book Depository

Ainda que Laura Prepon (Alex Vause) e Taylor Schilling (Piper Chapman) não tenham tido problemas de química cinegráfica, abrindo a série com uma das analepses mais íntimas do casal, Cleary Wolters (a “verdadeira” Alex Vause) rapidamente admitiu a sua insatisfação com o percurso da história televisiva e acabou por assinar contrato com a Harper Collins Publishers Inc. iniciando o seu contraditório com Out of Orange: A Memoir.

Não existem, infelizmente, versões editadas em Portugal, mas podem ambos ser adquiridos na Book Depository por menos de 10 euros por exemplar.

6. House of Cards (2013-)

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Fonte: Giphy

O drama político protagonizado por Kevin Spacey (e, hoje em dia, um tanto ao quanto tingido pela conduta do ator) foi inspirado numa série da BBC de Andrew Davies mas, também, num romance homónimo escrito por Michael Dobbs. Frank é o sedento e imbatível personagem principal de mais um guião original da Netflix com audiências consolidadas, fazendo, assim, jus ao livro que precede como bestseller internacional.

Curiosamente, existe uma diferença estrutural nas duas narrativas: Frank

Foto: Wook

Underwood é o americano esculpido pela mão de Beau Willimon, com pretensões de chegar à Sala Oval (e mais além). Já a sua “versão piloto” tem o nome de Francis Urquhart e tenciona chegar a Primeiro-Ministro através de golpes palacianos em Westminster. O autor do romance tem também o título de Lord Dobbs de Wyle e pertence à Casa dos Lordes britânica, tendo sido conselheiro de Margaret Tatcher e David Cameron. Podemos dizer que detém um excelente conhecimento interno de manobras de poder…

A obra de 2014, pela Jacarandá Editora, pode ser adquirida por cerca de 18 euros na Wook.

 

7. Gossip Girl (2007-2012)

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Fonte: Giphy

XOXO, Gossip Girl.

Já é parte da cultura popular norte-americana e tem demasiados prémios para enunciar. Em 2012, o presidente da câmara de Nova Iorque, Michael Bloomberg, proclamou o dia 26 de Janeiro como o “Dia de Gossip Girl”, comemorando (à data) o 100.º episódio da série que acabaria por ter mais 21 capítulos.

Considerado um dos mais bem concebidos dramas adolescentes, as diferenças entre os livros e a série são múltiplas: desde a família e estatuto de Chuck Bass até à personalidade de Eric (Erik, nos livros) as alterações são copiosas.

O primeiro volume de Cecily Von Ziegesar data de 2003 e tem a sua edição em português disponível na Wook por cerca de 13 euros. A série da The CW está atualmente disponível na Netflix. Para quem vai começar agora, fica o aviso, a blogger misteriosa quase foi acidentalmente revelada no episódio piloto.

8. Downton Abbey (2010-2015)

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Fonte: Giphy

Indicada no Livro Guinness dos Recordes como “programa de língua inglesa mais aclamado pela crítica” (sucedendo Mad Men [2007-2015] e Modern Family [2009-]), a série da Carnival Films dispensa grandes apresentações tanto quanto as merece.

Julian Fellowes, criador da série, assina também vários romances, guiões, realizações cinematográficas e livros de análise cultural que se debruçam sobre a realidade da aristocracia britânica, sendo, do mesmo modo, responsável pela adaptação teatral do clássico Mary Poppins em 2014. Curiosamente, Fellowes tem em comum com o supracitado Michael Dobbs um lugar na Casa dos Lordes com o título Lord Fellowes of West Staford.

Neste caso, o livro que dá mote a Downton Abbey é To Marry an English Lord:Tales of Wealth and Marriage, Sex and Snobbery, de 1989, escrito por Gail MacCol e Carol Wallace. O romance analisa os casamentos entre jovens herdeiras americanas e aristocratas ingleses no final do século XIX, identificando-se imediatamente com a relação entre Cora e Robert Crawley.

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Foto: Book Depository

Não existe edição em português, mas para os apaixonados pelo charme de Lady Mary Crawley, a sua génese pode ser encomendada via Book Depository por cerca de 13 euros. Já os guiões da celebrada história da Casa dos Grantham e outros livros de Julian Fellowes estão disponíveis, a partir de 7 euros, na mesma plataforma.

(Série disponível na Netflix.)

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