Em 2010, um heterónimo nasceu para dar nome ao seu primeiro álbum, Trovas Intravenosas. Um ano depois, lançou o seu segundo álbum que acabou por se chamar Segundo disco, ainda sem nome. Era o Cão da Morte, nome escolhido aos 16 anos, que escreveu e compôs todas as suas canções. Até 2015, mais dois discos foram partilhados pelo artista, Odissipo e Fim de Verão.

Fotografias disponíveis no bandcamp do artista

Capas dos seus álbuns disponíveis no bandcamp, do primeiro (à esquerda) ao último como Cão da Morte.

Quatro álbuns constavam no seu histórico. O reconhecimento subia em torno da sua arte, mas não era isso que procurava. O Cão da Morte passa a ser somente ele próprio, Luís Severo, último nome em honra do legado da mãe e avó.

No outono de 2015, o artista renasce no seu novo disco, Cara D’Anjo. Apresentou um novo registo com uma moral: é hora de crescer. Existem novas questões, o medo, a avalanche, o amor e a cidade de Lisboa.

Fotografia de bandcamp de Luís

Com influências nítidas de fado e Nick Cave, as suas novas canções passaram de semi-folk para um registo mais limpo e cuidadoso. O seu amigo João Sarnadas aka Coelho Radioativo, passou da guitarra para o piano e as músicas ganharam uma nova sonoridade.

Quinto disco, agora com nome: Cara D’Anjo

Cão da Morte, Luís Miguel. Luís Gravito, Luís Severo. Luís ou apenas Severo. O álbum trouxe consigo um novo ar mas a sua identidade não se perdeu. De tom mais controlado, faz a análise da sua vida.

“O tempo fica a gente vai passando
ao menos agora andas diferente
nos vintes que te sabem a velho
se ainda és adolescente”

Luís Severo por Luís Severo

Se de heterónimo passou para si mesmo, então porque não dar o seu próprio nome ao seu álbum?

Capa do seu mais recente álbum disponível no bandcamp

Lançado em março de 2017, o artista trouxe um novo encanto aos seus antigos e novos ouvintes, demonstrando que os dois anos parados não foram em vão.

Era o início de 2016 e eu andava na estrada a tocar o Cara d’Anjo. Já meio saturado daquelas canções, sabia que queria aproveitar o momento e escrever já outro disco. Desta vez, um disco mais solitário, onde a solidão no processo me proporcionaria uma liberdade que nunca tivera outrora.

– Luís Severo

Temas como confiança, verdade, amor e locais de Lisboa como Alameda, Santa Apolónia e Alvalade (onde gravou este disco) são colocados em versos que fazem pensar.

Pianinho, um miminho para os fãs

No entanto, Luís não se deixou ficar por aí. No natal do mesmo ano, ofereceu aos seus fãs a possibilidade de transferir gratuitamente um álbum especial através do seu bandcamp.

Acompanhado apenas pelo piano, o músico reproduz canções dos seus dois discos anteriores. No álbum digital canta ainda uma música dos Flamingos, uma “reencarnação do Coelho Radioactivo e do Cão da Morte” como é referido no Facebook da banda.

A nova estrela da Cuca Monga

Imagem da editora no bandcamp

A editora Cuca Monga surgiu quando a banda Capitão Fausto decidiu realizar um projeto e dividir-se em bandas paralelas para lançar álbuns diferentes. Entre essas bandas/artistas estão os Ganso, o Bispo, o El Salvador, Modernos e mais recentemente o lendário José Cid. A própria editora chegou a partilhar trabalhos como banda entre eles Cuca Monga Volume 1, 2 e 3.

A sua última aquisição terá sido Luís Severo, o qual ajudaram a lançar os discos Luís Severo e Pianinho.

Passear por Portugal

Este novo encanto pelo artista tem levado dezenas de espectadores aos mais diferentes palcos. De agenda preenchida desde o início do ano, o cantor tem percorrido Portugal de norte a sul. Atuações do artista já são esperadas em locais como Leiria, Viana do Castelo e Tavira.

Dois dos concertos mais importantes decorrerão no dia seis de abril, no MIL (Lisbon International Music Network) e ainda no dia 9 de junho, no NOS Primavera Sound (Porto).

Datas de concertos disponíveis no bandcamp do artista

2017 o melhor ano

Com a sua nova lista de canções, os ouvintes reconheceram o seu talento. Na revista Blitz, os leitores votaram no disco homónimo como o melhor álbum do ano.

Na Antena 3, o sucesso também se destacou. Ficou em sétimo lugar dos favoritos. Nos discos do ano da Vodafone FM, entre nacionais e internacionais, ficou em 31º lugar. Também o Espalha Factos o escolheu como um dos melhores discos nacionais do passado ano.

Com apenas 25 anos, Luís Severo está-se a tornar num dos artistas mais desejados do público.