O Processo, documentário que revela os bastidores do impeachment de Dilma Rousseff, mereceu fortes aplausos no Festival de Berlim.

O mais recente trabalho da cineasta brasileira Maria Augusta Ramos (JustiçaJuízo e Morro dos Prazeres) foi exibido esta quarta-feira (21) na Berlinale, perante uma sala cheia que, no final, aplaudiu de pé o documentário.

O documentário, de cerca de duas horas, acompanha o histórico processo do impeachment de Dilma, entre abril e agosto de 2016. Maria Augusta Ramos percorre os corredores e gabinetes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal do Brasil, mostrando conversas no corredor, encontros de dirigentes políticos e diversos protestos.

Sem voz off nem entrevistas, a ex-presidente Dilma nem sequer é a protagonista. Vê-mo-la a fazer comunicados e a responder à imprensa mas os grandes protagonistas desta história são os membros da sua defesa — o advogado José Eduardo Cardozo e a senadora e atual presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann.

A cineasta brasileira explica que a defesa da ex-presidente concedeu-lhe um amplo acesso ao processo, ao contrário da acusação, que negou ser filmada. Apesar de mostrar apenas um lado, Maria Augusta garante ter conseguido alcançar um trabalho independente.

Maria Augusta Ramos, que já realizou uma trilogia sobre o sistema judicial brasileiro, garante que faz “filmes para entender a realidade”. Acrescenta ao jornal O Globo: “O que estava a acontecer no Brasil preocupava-me muito“.

Ainda antes da exibição, alguns brasileiros residentes em Berlim protestaram a favor de Dilma Rousseff e Lula da Silva. Mesmo dentro da sala, onde boa parte da plateia eram brasileiros, ouviu-se “Fora Temer” e “Fica Dilma“.

Já o ano passado, também neste festival, diversos cineastas brasileiros haviam alertado para a ameaça que, no ver deles, o governo de Temer representava para a cultura.