Pela primeira vez na história da Academia, os cinco realizadores nomeados para a categoria de Melhor Realizador representam em pleno o que é o cinema “de autor”. E esta não é a única surpresa na categoria.

Se em fevereiro de 2017, depois da 89ª edição dos Óscares, alguém dissesse aos membros da Academia que Greta Gerwig e Jordan Peele estariam entre os nomeados deste ano, com certeza que a resposta da vasta maioria seria ‘quem?’. Peele é afro-americano e estreou-se na indústria com Get Out. O filme estreou na categoria “surpresa” do Festival de Sundance e acabou por tornar-se no 15º mais rentável do ano nos Estados Unidos, logo a seguir a Dunkirk. Gerwig é a primeira mulher nomeada em nove anos, desde Katheryn Bigelow, e apenas a quinta de sempre. Tal como no caso de Peele, Lady Bird é a sua estreia atrás das câmaras, sendo o guião também da sua autoria. Aliás, este é o padrão da categoria nesta edição: os cinco nomeados também escreveram ou ajudaram a escrever os filmes que realizaram. Todd McCarthy, do Hollywood Reporter, defende que é daí provém a intimidade que cada um dos filmes oferece.

Lê também: 5 filmes ignorados pelos Óscares
jordan peele

Fonte: Divulgação/Universal

Mesmo dentro do que é considerado “canónico” na indústria, podemos apontar algumas surpresas. Guillermo del Toro é nomeado mais velho, mas tem apenas 53 anos. Por outro lado, de entre os cinco, só Paul Thomas Anderson esteve nomeado anteriormente, com Haverá Sangue. Dunkirk, o épico de guerra de Christopher Nolan, é o único blockbuster na corrida. Isto por si é revelador dos tempos que correm — num outro período mais de Hollywood, Dunkirk seria talvez o favorito nesta corrida. No entanto, outras peças têm roubado os holofotes. São exemplo 3 Cartazes à Beira da Estrada e Chama-me Pelo Teu Nome.

Não há como negar: sejam quem forem o vencedores, a indústria cinematográfica como a conhecíamos está em transição; há uma nova era de realizadores que veio para revolucionar. Talvez estes sejam os primeiros passos para uma nova era da Academia.