Os My Bloody Valentine relançaram recentemente os seus primeiros álbuns, Isn’t Anything, datado de 1988, e de Loveless, de 1991, inseridos numa reedição totalmente analógica. Ao comprarem os LPs, os fãs ficaram surpreendidos quando, junto com a edição de Isn’t Anythingestava uma outra versão do álbum, masterizada de forma diferente, em edição limitada.

Os LPs esgotaram rapidamente, bem como a nova versão extra de Isn’t Anything, só disponível para quem comprou a reedição do álbum diretamente do site da banda.

Os My Bloody Valentine estão a trabalhar no álbum que segue m b v, lançado em 2013 e que marcou o seu regresso, sendo que estavam em hiato desde o início dos anos 90. A banda não tem datas confirmadas para a Europa, estando apenas agendada para headliner do festival Sonic Mania, no Japão, e no qual partilha cartaz com nomes como Nine Inch Nails e Flying Lotus.

Kevin Shields, o frontman, recentemente colaborou com Brian Eno para o lançamento do single Only Once Away My Son, tendo marcado presença a solo no festival dos Sigur Rós, Norður og Niður.

A história de Isn’t Anything

Isn’t Anything foi lançado em novembro de 1988, e juntamente com todo o trabalho seguinte dos My Bloody Valentine começou a definir o género do shoegaze.

Foi descrito como melodias insinuantes que se intrometem em folhas de som opaco e desfocado. O shoegaze, também chamado dream pop, começou uma variante neo-psicadélica do indie nos anos 80 e é caracterizado pelo som típico dos My Bloody Valentine: vocais obscuros postos num pano de distorção nas guitarras (o uso dos pedais é o que dá o nome shoegazing) e feedback, num volume elevado.

Gira à volta do conflito entre várias camadas sonoras que juntas criam esta parede de som a que chamamos de shoegaze. Apreciadas por muitos estas texturas transmitem estados de expressão em que apenas através do som, é possível sentir algo nostálgico, em estados de melancolia controlada.