A edição crítica da obra Os Maias – Episódios da Vida Romântica, de Eça de Queirós, é apresentada esta quarta-feira, na Biblioteca da Imprensa Nacional, em Lisboa, pelas 17h30.

A edição crítica do romance Os Maias é publicada no âmbito do projeto Obras Completas de Eça de Queirós, da Imprensa Nacional Casa da Moeda.

Esta análise crítica resulta do trabalho conjunto de dois investigadores da Literatura Portuguesa, Carlos Reis (professor catedrático da Universidade de Coimbra) e Maria do Rosário Cunha (docente da Universidade Aberta).

Este volume contempla uma nota prévia, uma introdução histórico-literária dividida em seis partes, com um total de 42 páginas. Paralelamente, inclui o texto fixado e anotado dos 18 capítulos em que se desenrola o romance, um apêndice documental e notas bibliográficas.

Carlos Reis afirmou, em comunicado enviado ao Notícias ao Minuto, que este romance é «o ponto mais alto» da criação literária queirosiana e de toda a ficção portuguesa.

O professor catedrático salientou, ainda, que Os Maias são considerados uma obra polémica pelas «azedas reações provocadas por certas personagens, que alegadamente caricaturavam, com a agudeza do traço estilístico queirosiano, figuras respeitáveis da vida pública portuguesa», acrescentando que neste romance é visível «muito daquilo que Eça tinha para dizer aos seus contemporâneos e à posteridade».

A história d’ Os Maias

A ação d’ Os Maias decorre em Lisboa, na segunda metade do século XIX.

Conta-nos a história de três gerações da família Maia.

Inicia-se no outono de 1875, na altura em que Afonso da Maia, nobre e rico proprietário, se instala no Ramalhete.

O seu único filho, Pedro da Maia, de personalidade fraca, resultante de uma educação extremamente religiosa e protetora, casa-se, contra a vontade do pai, com Maria Monforte, de quem tem dois filhos – um menino e uma menina: Carlos da Maia e Maria Eduarda.

A esposa acaba por abandoná-lo e fugir com um Napolitano, levando consigo a filha, de quem nunca mais se soube o paradeiro.

O filho fica entregue aos cuidados do avô, após o suicídio do pai.

Carlos passa a infância com o avô e forma-se em Medicina, em Coimbra.

Após a conclusão do curso, regressa a Lisboa, ao Ramalhete.

Inicia a sua vida social com alguns amigos, como o João da Ega, Alencar, Dâmaso Salcede, o maestro Cruges, entre outros.

Influenciado pelo ambiente que o rodeia, Carlos envolve-se com a Condessa de Gouvarinho, que depois irá abandonar.

Um dia, fica deslumbrado ao conhecer Maria Eduarda, que começa a seguir durante algum tempo, mas sem êxito.

Só mais tarde, consegue a tão ansiada aproximação.

Os dois amantes vivem momentos intensos e fogosos de paixão, desconhecendo sempre a relação incestuosa que estão a viver.

Quando descobrem que são irmãos, Carlos não aceita o facto e mantém abertamente a relação com a irmã.

Afonso da Maia, o velho avô, ao receber a notícia morre de desgosto.

Maria Eduarda, rica, parte para o estrangeiro. E Carlos, para se distrair, vai correr o mundo.

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Sobre a apresentação da obra

A edição crítica d’Os Maias – Episódios da Vida Romântica será apresentada pela professora catedrática de Literatura Paula Morão, esta quarta-feira, às 17h30, na Biblioteca da Imprensa Nacional, em Lisboa.

No dia seguinte (22), realiza-se uma sessão de apresentação da edição crítica na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, pelas 17h30.

A entrada é livre.

Maias

Foto: divulgação

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