Eunice Kathleen Waymon, mais conhecida pelo grande público como Nina Simone, é uma das mais respeitadas cantoras negras do século XX. Se fosse viva, completaria 85 anos de vida, por isso o Espalha-Factos decidiu homenagear a marcante carreira da artista norte-americana.

Nasceu no dia 21 de fevereiro de 1933, numa família conservadora em Tryon, na Carolina do Norte. Tinha sete irmãos e, desde tenra idade, ambicionava seguir uma carreira na música.

Começou a tocar piano com apenas três anos e, aos 12, estreou-se em concerto num recital de música clássica. A jovem Eunice Waymon recusou começar o concerto até que os seus pais fossem colocados na primeira fila. Devido ao ambiente de discriminação racial, os seus pais não tinham prioridade para nela se sentarem.

Este foi o ponto de partida para que a jovem artista ganhasse consciência desta causa social. A cantora viria mesmo a assumir-se como ativista dos direitos civis uns anos mais tarde.

“Música. Nasci para a música”

Em 1950, depois de ter concluído os estudos na Julliard School of Music, em Nova Iorque, a jovem candidatou-se para uma bolsa no Curtis Institute of Music, na Filadélfia. Apesar de a audição ter corrido bem, não conseguiu obter o desejado lugar. Desde então, Eunice Waymon encarou que o facto de ser afro-americana era fator impeditivo.

Quatro anos mais tarde, começou a dar concertos em pequenos bares com o nome artístico Nina Simone. Nina vem de uma alcunha que um namorado lhe atribuiu (deriva do castelhano niña, que significa menina) e Simone foi inspirado pela atriz francesa Simone Signoret.

Um dos principais motivos que levou a cantora adoptar este pseudómino deve-se ao facto da mãe recusar que a sua filha tocasse blues e jazz. Segundo a progenitora, era a “música do Diabo”.

Mais de 40 anos ao serviço da música, fica então uma lista com cinco temas indispensáveis e que definiram a carreira de Nina Simone enquanto pianista e intérprete.

I Loves You, Porgy

A versão de Nina Simone de uma canção do musical Porgy and Bess de autoria de  George Gershwin rendeu-lhe o primeiro êxito nos Estados Unidos da América. Tornar-se-ia no único que entrou na tabela top 20 da Bilboard.

Tema retirado de Little Girl Blue, a sua estreia discográfica. Em 2018, o disco completa 60 anos da edição original e é considerado pela crítica como um dos álbuns essenciais da cantora norte-americana.

Moon Indigo

Pode não ser o tema mais marcante mas é a canção que abre o mesmo longa duração e por isso merece ser mencionado. Foi a primeira vez que ouvimos a voz da Nina Simone em disco e logo com uma composição standard do Duke Ellington.

Não foi a primeira nem a última vez que a música foi gravada, mas, para quem comprou o disco em 1958, foi o cartão de visita para conhecer o estilo contralto que popularizou a intérprete.

I Put a Spell on You

Indibitavelmente, a canção que maior parte do grande público associa a Nina Simone. Gravada originalmente por Screamin’ Jay Hawkins, em 1956, foi a interpretação da norte-americana que permitiu que a música se tornasse “sua”.

Faz parte do álbum homónimo que, em 2017, fosse considerado pela National Public Radio (NPR) como um dos melhores 150 álbuns feitos por mulheres, ocupando o terceiro lugar.

Feeling Good

Também faz parte do mesmo disco, foi novamente a interpretação de Nina Simone que trouxe esta música ao conhecimento do grande público. Já teve versões completamente distintas como as de Muse, George Michael e, até mesmo, Michael Bublé.

O sucesso desta canção é imenso e até é utilizado em campanhas publicitárias para promover automóveis alemães. A versão de Nina Simone esteve no top nos Estados Unidos e também no Reino Unido.

Mississippi Goddam

A única música desta lista que é de autoria de Nina Simone. Missippi Goddam foi o primeiro passo para assumir publicamente a sua posição política enquanto ativista dos direitos civis afro-americanos.

Juntamente com as composições originais Four Women e To Be Young, Gifted and Black, formam a “trilogia” de temas protestos que a cantora norte-americana escreveu.

Em fim de vida, foi-lhe diagnosticado um distúrbio bipolar. Morreria em 2003 com 70 anos devido a um cancro mamário. Em 2018, Nina Simone vai ser incluída no Rock and Roll Hall of Fame.