Completam-se, neste dia, 30 anos desde que a ilha de Barbados viu florescer a luminosa Robyn Fenty. Rihanna, nascida a 20 de fevereiro de 1988, está de parabéns, mas as congratulações transcendem o aniversário. Em 13 anos de carreira, o seu nome estabeleceu-se como um pináculo da cultura pop. E, dada a variedade de setores em que atua, dificilmente se trata de um estatuto delével.
Os créditos não se esgotam na hegemonia radiofónica. Rihanna inseriu-se como peão no planisfério musical, mas suplantou esse papel. Como? Consentindo participar estrategicamente nos jogos da indústria, fazendo da sua presença uma constante, subvertendo moldes e expectativas, lapidando-se no processo.
A motricidade sonora e a iconoclastia visual foram a preparação para o que haveria de vir. Hoje, continua a arriscar, merecendo com legitimidade os títulos de artista, empreendedora, filantropa e muito, muito mais.
O Espalha-Factos revê, em tributo, três das várias facetas de Rihanna.

O domínio musical

É por via da música que o ícone de Barbados se estreia, com Music of the Sun, registo de 2005. A fórmula ligeira, levemente imbuída de sons tropicais, foi também apropriada pelo sucessor de 2006, A Girl Like Me.

Êxitos como Pon de Replay ou SOS foram, de facto, fundamentais na afirmação da cantora no plano mainstream. Em janeiro de 2018, conseguiu, com Lemon (colaboração com os N.E.R.D.), o seu 50.º êxito no top 40 da Billboard Hot 100, a tabela de singles americana.

2007 trouxe consigo a primeira reinvenção de Rihanna, reformulada como femme fatale, em Good Girl Gone Bad. O álbum, introduzido ao mundo pela tremenda Umbrella, era sinónimo de sensualidade e ambição, mas demonstrava-a capaz de defrontar uma pop quase à prova de bala.

Rated R, editado em 2009, era um progresso. Fez luz sobre a sua vulnerabilidade e candura emocional, até então por explorar. A partir daí, o sucesso foi ininterrupto. De 2010 a 2012, Rihanna liderou os tops com mais três discos lançados: LoudTalk That Talk Unapologetic.

De forma ou outra, em formato de álbum, a artista sucumbia a fins comerciais, fazendo-a ignorar potencialidades e experimentar em dose ínfima. É então que Rihanna toma as rédeas do oitavo álbum, suspendendo o seu lançamento até que “acreditasse no projeto.

Na sequência de tribulações, mudanças de ideias e produtores, Anti concretizou-se em janeiro de 2016. Foi responsável por Work, sim, mas, mais do que isso, foi a concretização de uma clara visão criativa; o primeiro disco celebrado de Rihanna.

Não esquecer o artigo da Pitchfork que impunha a questão: “Será Rihanna a mais influente cantora da última década?” A discussão conduz a uma conclusão: a de que a disseminação do estilo vocal de Rihanna é real, sendo frequentemente emulado por novos ou já estabelecidos artistas.

A proeminência visual

O trajeto de Rihanna na música foi ornamentado com videoclipes marcantes, realizados brilhantemente. Ao longo da carreira, regista-se a progressão de lugares-comuns (como coreografias e glamour shots) para a exploração de motivos pertinentes e a encenação de enredos complexos.

O melhor exemplo é o acompanhamento visual de We Found Love, dirigido por Melina Matsoukas e vencedor de um Grammy. As bases de um vídeo pop estão lá: as cores esfuziantes, o sabor da euforia, a perda de controlo. Mas ganham outro significado, ao avaliar o impacto do abuso de substâncias numa relação amorosa.

As plataformas visuais deram a Rihanna a oportunidade de entrar em rutura com conservadorismos. Tal é patente em realizações como Man Down, S&M ou Needed Me, telediscos barrados, decisões mais tarde revogadas, do YouTube por conteúdo violenta ou sexualmente gráfico.
Mas o choque não se impunha só à indústria musical, como a presença nos CFDA Fashion Awards de 2014 o exemplifica. Num exemplo mais contemporâneo, é possível recordá-la a pisar a passadeira da Met Gala 2017, vestida por Comme Des Garçons.
Rihanna na Met Gala

Rihanna na Met Gala 2017. Fotografia: Getty Images

É curioso que um dos looks discutivelmente icónicos de Rihanna tenha surgido na ocasião em que foi premiada com o prémio de Fashion Icon. Publicações como a Vogue consubstanciam o seu mérito no ramo, e as múltiplas aparições em eventos continuam a materializar, de forma visível, a apetência pelo forjar de novas correntes.

O crescente empreendedorismo

Como prolongamento da sua imposição como ícone de moda (terá havido algum passo não essencial no seu percurso?), surge Rihanna, a empreendedora. E não será descabido remeter para o lançamento de fragrâncias associadas ao seu nome como uma previsão desta faceta.

Em 2014, a Puma nomeia-a diretora criativa, responsabilizando-a pela linha feminina da empresa. Daí promanou a coleção Fenty x Puma, vencedora de prémios e demonstrada nas fashion weeks de Nova Iorque e Paris. As colaborações continuaram, nos sapatos de Manolo Blahnik ou nas jóias de Chopard, mas também como embaixadora da Dior.

Três anos depois, Rihanna revolucionou o mundo da maquilhagem, com a linha de cosméticos Fenty Beauty. Os produtos foram considerados pioneiros por serem aplicáveis a mais de 40 tipos de pele, primando pela inclusão.

A estratégia provou-se um sucesso inquestionável: no mês inaugural, os lucros do negócio perfizeram 72 milhões de dólares (58,36 milhões de euros); a nível de popularidade, rapidamente ultrapassou várias marcas reputadas. As ramificações do sucesso conduziram a que a linha de cosméticos fosse listada pela revista Time nas 25 melhores invenções de 2017.

O nome da artista é um fator atrativo para o marketing de qualquer produto. Todavia, parte do sucesso parece dever-se ao seu envolvimento real nos empreendimentos, em adição a uma seleção cuidada destes.

E, a este ponto da carreira, talvez este teorema já se possa aplicar a qualquer área em que se decida aventurar. Que venham tantas outras décadas de entusiasmo e desdobramento, ao gosto e à medida de Robyn Rihanna Fenty.